O esquema da “direção” das emendas parlamentares, não é uma maracutaia exclusiva do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, ou do mafioso Eduardo Cunha. É atualmente parte orgânica do atual regime político bonapartista, imposto pelo capital financeiro para restringir investimentos estatais estruturantes e só existe porque há um orçamento gigantesco a ser negociado, no sentido de ser “picotado” entre as “raposas” da política burguesa, tanto da oposição direitista, quanto da base de apoio lulopetista. É aqui que o governo do pelego Lula entra na “equação” do esgoto das emendas parlamentares.
A Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, sancionada pelo presidente petista, prevê mais de R$ 6,3 trilhões em despesas, incluindo R$ 592,16 bilhões em transferências constitucionais obrigatórias a estados e municípios. Nesse universo, as emendas individuais, de bancada e de comissão permanecem como instrumento central da relação entre o Executivo e o Congresso. Embora uma parte delas tenha execução obrigatória, o que já representa um escândalo, o calendário de liberação e as verbas de comissão continuam submetidos à negociação política.
O governo da Frente Ampla burguesa para garantir sustentabilidade no Congresso, negocia, libera e antecipa emendas, inclusive para sua base fisiológica e para a extrema direita. A liberação de emendas no momento conveniente funciona como instrumento para formar maiorias em votações apertadas; a distribuição de cotas reforça vínculos de fidelidade entre o governo de colaboração de classes, o “Centrão”, direita fisiológica e corrupta e as bancadas da extrema direita institucional.
Os elementos reunidos pela investigação da PF, obviamente levadas a cabo com o foco ligado na oposição Bolsonarista, mostram ainda que esse método atravessou as gestões de Arthur Lira e Hugo Motta: permaneceram as planilhas informais, a distribuição de verbas sem controle efetivo e os acordos de bastidor, sob diferentes comandos partidários.
Mudaram os presidentes da Câmara (todos “simpáticos” as generosidades de Lula) e também as legendas fisiológicas no comando da Casa, mas não o esquema institucional das verbas públicas que hoje são majoritariamente controladas pelas máfias do parlamento e do judiciário brasileiro.
