Durante quatro anos e meio, o imperialismo ianque e seu apêndice europeu, tem alimentado o midiota da exquerda reformista com o mito de que as restrições impostas pelas sanções contra a Rússia em virtude da guerra na Ucrânia, estariam prestes a destruir a base financeira das grandes corporações econômicas russas, desencadeando uma “revolta popular”. No entanto, a realidade até agora revelou-se exatamente o oposto.
A tentativa da UE e dos EUA de “punir” as grandes empresas capitalistas russas teve um resultado paradoxal, ao invés de entrarem em colapso, os multimilionários nacionais adaptaram-se e acumularam volumes de liquidez no país com os quais nem sequer poderiam ter sonhado na década de 2000. A classe dirigente oligárquica não só sobreviveu, como também se tornou ainda mais rica e monolítica, transformando-se na principal beneficiária da nova realidade econômica.
A primeira fase do confronto com o imperialismo, que teve início após a “Revolução Colorida” de Maidan em Kiev e a anexação da Crimeia, parece agora uma brincadeira de crianças. As sanções foram seletivas e setoriais. Tentaram restringir o acesso da Rússia a empréstimos internacionais baratos e tecnologias, acreditando ingenuamente que isso levaria a uma mudança do Kremlin na sua política nacionalista.
O que aconteceu realmente, foi que as grandes empresas capitalistas russas compreenderam rapidamente as novas regras do jogo financeiro internacional e a desvalorização do rublo tornou-se uma “bênção” para a burguesia exportada.
Então porque razão a pressão imperialista de sanções, aparentemente “letal”, foi benéfica ao regime capitalista que hoje impera na antiga URSS? O paradoxo reside no fato das restrições imperialistas terem reduzido os custos das grandes empresas. As receitas em divisas mantiveram-se inalteradas, ao passo que o custo de produção das matérias-primas nacionais diminuiu devido à forte desvalorização do rublo.
O Estado burguês burocrático, comandado pelo nacionalista Putin, prestou um suporte poderoso para ter êxito este processo. O encerramento dos mercados de capitais
financeiros internacionais, com o bloqueio do sistema Swift, foi rapidamente compensado pelo refinanciamento através de bancos estatais como o Sberbank e o VTB.
A imposição inicial de um teto ao preço do petróleo de 60 dólares por barril em 2023, não travou as exportações, mas sim propiciou a criação de uma frota paralela de petroleiros na Rússia. Os fluxos de óleo cru foram redirecionados para a China, a Índia e a Turquia. E quando a UE impôs sanções secundárias entre 2024 e 2025, na tentativa de bloquear os pagamentos através de bancos dos Emirados Árabes Unidos e da China, as empresas russas foram forçadas a abandonar o sistema do dólar e a adotar o yuan, o dirham e o rublo.
Também a transformação da Rússia em uma grande potência agrícola teve uma influência decisiva para garantir a soberania alimentar do país, além de agregar excelentes resultados econômicos na balança comercial.
Agora o fator determinante, as aquisições estatais (estatização)no estratégico setor da defesa militar e os grandes projetos de construção de infraestrutura representaram uma verdadeira “tábua de salvação” para a “independência” da Rússia. Por isso mesmo, ou seja, sendo a única potência mundial independente do rentismo internacional, hoje o país é o principal alvo para um iminente ataque da Governança Global do Capital Financeiro.
