Segundo a contagem oficial, os Democratas imperialistas conquistaram 53 cadeiras (eram necessárias 51 para consolidar seu poder) na Câmara Alta, o resultado impulsionado pelo Deep State ianque foi garantido por vitórias em estados como Michigan, Texas, Carolina do Sul, Carolina do Norte, Ohio, Iowa e Kansas. Com o controle do Senado, os Democratas terão condições de bloquear as nomeações judiciais e ministeriais do Republicano Trump, embora ainda enfrentem o poder de veto do presidente, que já avisou que o utilizará amplamente.
Este resultado eleitoral , ocorre em um contexto político de descontentamento generalizado dos eleitores norte-americanos, com a crise econômica do capitalismo central, representado pelo imperialismo estadunidense. Os gerentes Democratas ou Republicanos não tem capacidade alguma de reverter o esgotamento das forças produtivas no planeta. Assim, o avanço do Partido Democrata, comemorado euforicamente no Brasil pela famiglia Marinho e pela “família” da exquerda reformista, como o PSOL, PSTU, MRT e etc, superou as expectativas políticas no sentido da perspectiva concreta de uma alternância de gestão estatal da Casa Branca.
Essa mudança, naturalmente, terá repercussões imediatas em Washington após a posse do novo Congresso no início do ano que vem. A partir de então, apesar da profunda divisão que persistirá no Capitólio, os Democratas, agora em maioria, poderão frear a agenda legislativa do presidente Trump nos dois anos restantes de seu mandato presidencial. Há expectativas em torno de diversos temas, que vão desde a aplicação das leis de imigração e os gastos públicos até as tarifas globais impostas por Trump. Porém são absurdamente falsas as expectativas de uma mudança de linha estratégica do imperialismo ianque, até porque neste campo Trump acumulou vitórias importantes, como a recolonização imperialista da Venezuela.
Para o gerente Republicano, não é segredo algum que uma Câmara dos Representantes de maioria Democrata poderia dar início a uma série de investigações contra seu círculo íntimo, incluindo a retomada da apuração sobre o escândalo envolvendo o falecido empresário e criminoso sexual Jeffrey Epstein. Também podem entrar na pauta a violência associada ao aumento das deportações.
Os Democratas, agora em uma sintonia profunda com a Governança Global do Capital Financeiro, não descartam a possibilidade de um processo de impeachment contra o reacionário presidente. Para esse fato o Deep State ianque já começa a movimentar seus instrumentos internos e apoios internacionais, como o de Lula no Brasil.
Essa mudança na correlação de forças do parlamento não foi de maneira alguma uma surpresa histórica nos EUA. O ciclo de eleições de meio de mandato costuma ser tradicionalmente difícil para o partido que controla a Casa Branca e para o gerente em exercício. Uma tendência eleitoral recorrente que neste ano foi agravada pela volatilidade do crash econômico, apesar das promessas de uma “era dourada” feitas por Trump.
Entre os resultados eleitorais de destaque para os Democratas guerreiristas que arrasaram a Líbia sob a batuta de Obama, está a histórica vitória no Texas, com James Talarico, que venceu a disputa por uma cadeira no Senado contra o Republicano Ken Paxton (apoiado por Trump), e Gina Hinojosa, que se tornou a primeira mulher hispânica a assumir o governo daquele estado. Hinojosa derrotou o atual governador Republicano, Greg Abbott. O Democrata Xavier Becerra também será um latino a ocupar um governo estadual, neste caso, o da Califórnia.
Trump já manifestou sua intenção de colaborar com os Democratas no novo Congresso; chegou a comentar, inclusive, que conversou com vários deles, embora não tenha revelado seus nomes. Na verdade Democratas e Republicanos são duas alas do mesmo partido, que pode ser chamado de Partido Único do Imperialismo, o PUI…
