O “time” revisionista que apoia Lula neste 2º turno da eleição presidencial no Brasil, argumentando centralmente que o candidato do PT representa o “mal menor” contra o representante da direita institucional, Flávio Bolsonaro (PL), entrou em “campo” com a seguinte escalação: PSTU, CST, MRT e OCI (ex-Esquerda Marxista). Esse arco político inclui o PSTU, que lançou candidatura própria no 1 turno (recebeu o apoio da CST e MRT) ou chamou o Voto Nulo (OCI), proclama agora “voto crítico” em Lula para junto dos trabalhadores derrotar nas urnas a “ameaça fascista” e o “imperialismo”, personificado por Donald Trump!
Lenin e, muito menos Trotsky, jamais defenderam estabelecer frentes eleitorais para derrotar o “fascismo” votando em candidatos da chamada “burguesia progressista”. A formação de uma frente única para combater o fascismo, nada tem a ver com apoio parlamentar ou eleitoral à Socialdemocracia, como é o caso do PT no Brasil.
Na Espanha Trotsky defendeu ampla unidade tática contra o franquismo, porém criticou duramente o POUM (organização centrista) que votou a favor do governo Largo Caballero, derrubado posteriormente pela reação fascista…
Vejamos o que denuncia nosso mestre bolchevique no artigo “A traição do ‘Partido Operário de Unificação Marxista’ espanhol” escrito em 1936: “Os jornais nos informam que na Espanha o conjunto dos partidos ‘de esquerda’, tanto burgueses como operários, constituíram um bloco eleitoral sobre a base de um programa comum, que, evidentemente, em nada se distingue do programa da ‘Frente Popular’ francesa nem de todos os outros programas charlatanescos do mesmo gênero. Ali encontramos ‘a reforma do tribunal de garantias constitucionais’, a manutenção rigorosa do ‘princípio de autoridade’ (!!), a ‘libertação da justiça de todas as pressões de ordem política ou econômica’ (A libertação da justiça capitalista da influência do capital!) e outras coisas do mesmo gênero. O programa constata a recusa, da parte dos republicanos burgueses que participam do bloco, de nacionalização da terra, porém, em ‘em compensação’, ao lado das habituais promessas baratas aos camponeses (créditos, revalorização dos produtos da terra etc.), ele proclama (como um dos seus objetivos) o saneamento (!!) da indústria’, e a ‘proteção da pequena indústria e do comércio’ segue-se o inevitável ‘controle sobre os bancos’ no entanto, uma vez que os republicanos burgueses segundo o texto de este programa, rejeitam o controle operário, trata-se do controle sobre os bancos… pelos próprios banqueiros, por intermédio dos seus agentes parlamentares, do mesmo gênero de Azaña e de seus semelhantes. Enfim, a política exterior da Espanha deverá seguir ‘os princípios e os métodos da Sociedade das Nações’. E que mais? Assinaram, ao pé deste documento vergonhoso, os representantes dos dois grandes partidos burgueses de esquerda, o Partido Socialista Operário Espanhol, a União Geral dos Trabalhadores, o Partido Comunista (evidentemente!), as Juventudes Socialistas – ai! -, o ‘Partido Sindicalista’ (Pestaña) e, por último, o ‘Partido Operário de Unificação Marxista’ (Juan Andrade). A maioria destes partidos esteve à cabeça da revolução espanhola durante os anos do seu ascenso e eles fizeram tudo ao seu alcance para esgotá-la. A novidade consiste na assinatura do partido de Maurín-Nin-Andrade. Os antigos ‘comunistas de esquerda’ se transformaram simplesmente no vagão a reboque da burguesia ‘de esquerda’. É difícil conceber uma queda mais humilhante!”.
Trotsky literalmente repudia o apoio eleitoral à Socialdemocracia em nome de derrotar nas urnas a “ameaça fascista”, em tese uma realidade análoga à que os revisionistas descrevem no Brasil. Os Trotskistas estão pela unidade de ação contra o fascismo e não pela formação de um bloco político comum eleitoral com a Frente Popular, que desarma a resistência de classe à ascensão do verdadeiro fascismo.
Para Trotsky, o fascismo não seria detido através das eleições. O objetivo do fascismo era aniquilar a democracia burguesa e construir um regime de terror a serviço dos grandes monopólios. Desmoralizar a classe operária com métodos de guerra civil, antes que possa dar um golpe ou mesmo conquistar o governo pela via eleitoral. Por isso, ao mesmo tempo em que defende a profunda unidade na luta, Trotsky polemizou também com as organizações do movimento operário que propunham ao PC alemão uma coalizão eleitoral com a Social Democracia, para ‘barrar o fascismo’.
Seguindo esse legado, não fazemos do Bolsonarismo um “espantalho fascista” para justificar capitulações escandalosas diante da Frente Popular. A suposta “ameaça fascista” não se “sustenta no ar” pelo simples fato de que o crescimento do Bolsonarismo não é produto de uma involução reacionária das massas, e sim da bancarrota política da Frente Ampla. Vejamos os números: Flávio Bolsonaro recebeu 56,1 milhões de votos no primeiro turno de 2026, contra 51 milhões obtidos por Jair Bolsonaro em 2022, um acréscimo de aproximadamente 5 milhões de votos. Luiz Inácio, no mesmo intervalo, caiu de 57,2 milhões para 53,8 milhões, perdendo cerca de 3,4 milhões. O fenômeno aqui, portanto, não é simplesmente que milhões de pessoas deixaram de votar, mas que o bolsonarismo conseguiu ampliar sua votação enquanto o candidato do governo, com a “máquina nas mãos”, conseguiu perder parte expressiva da base eleitoral com que havia vencido quatro anos antes.
Os Marxistas Leninistas chamamos fenômenos políticos como o Bolsonarismo no Brasil, de fascismo institucional da democracia burguesa. A diferença com o verdadeiro fascismo, como o que se instalou na Ucrânia com a destruição policial (física) dos sindicatos, prisão e banimento legal dos partidos comunistas e da esquerda em geral, cancelamento das eleições parlamentares e por fim uma intervenção militar no sistema judiciário, é que em nosso país o Bolsonarismo se alimenta (política e financeiramente) das próprias instituições representativas do regime democrático formal. Não esqueçamos que na guerra da OTAN/Ucrânia contra a Rússia Lula perfilou como um “cachorrinho” diante do Departamento de Estado dos EUA negando-se a defender a derrota do fascista Zelensky!
Estabelecer uma enérgica resposta política dos oprimidos a cada ataque direitista contra nossos companheiros e lutas, perpassa pela organização de nossas milícias de autodefesa (“Não se dialoga, se combate de armas na mão, se preciso for!”)… e não votar em uma candidatura burguesa como a de Lula que concorre ao seu quarto mandato presidencial, sendo testado e comprovado um homem de confiança do imperialismo, inclusive de Trump que declarou ter uma “química excelente” com o petista!
Como vemos, o Time revisionista adota em nome de combater uma falsa “ameaça fascista” a política anti-Trotskysta “menosmalista” (Lula seria o “mal menor”) entre as duas candidaturas burguesas inimigas dos interesses imediatos e históricos dos trabalhadores!
O Time revisionista “menosmalista” composto PSTU, CST, MRT, OCI também alega que neste 2º turno as recentes manifestações gigantescas em apoio ao Lula são o sinal de que agora as “massas querem derrotar Bolsonaro” com a ferramenta eleitoral que tem a mão, ou seja, Lula da Silva. Nada mais enganoso, tanto do ponto de vista da análise concreta da luta de classes, como do ângulo puramente eleitoreiro.
As recentes mobilizações da campanha de Lula realmente foram massivas, porém somente conseguiram agregar “mais do mesmo”, ou seja a classe média abastada e a pequena burguesia identitária, hoje predominante no movimento estudantil. A razão sociológica deste fato é bem simples: as camadas proletárias e a própria base da classe operária continuam mantendo toda sua rejeição social ao governo lulopetista, nada mudou do primeiro ao segundo turno! O proletariado brasileiro continua endividado, desalojado, uberizado e com salários arrochados por conta deste governo anti-operário à serviço dos rentistas, e ao contrário do que pensa a intelectualidade de classe média, não “come democracia”, e sim alimentos! Por isso o povo pobre e oprimido exige mudanças, e grande parte enxerga em Bolsonaro esta via, outra parcela minoritária e mais politizada vê no Voto Nulo este caminho, repudiando as duas candidaturas capitalistas de conjunto.
Os grandes atos e longas caminhadas organizados para respaldar a recondução de Lula a gerência do Estado burguês, carecem de uma radicalidade pós-eleitoral, se assemelham mais a “micaretas” fora de época, voltadas a uma polarização política vazia de conteúdo de classe, cheirando ao carreirismo de “lideranças” oportunistas.
No maior “comício da virada”, ocorrido na Av. Paulista, a grande atração além do próprio Lula, foi o “Opus Dei” Geraldo Tucano Alckmin. É que agora o privateiro “socialista” passou a ser idolatrado pela exquerda reformista. Caminhando na direção de reacionários como esse tipo, é que o lulopetismo arrasta a parcela da juventude identitária, despolitizando ainda mais o movimento estudantil, universitário e secundarista. Evidentemente a juventude proletária não embarcou nesse espetáculo circense lulopetista, apesar do grande esforço da exquerda reformista, que tenta pintar essas mobilizações eleitorais com cores de um pseudo “anti-imperialismo”.
Por fim, os agrupamentos da exquerda revisionista que aderiram de malas e bagagens a campanha pela manutenção por mais 4 anos do atual governo burguês da Frente Ampla, tem usado como justificativa cretina de que “votar criticamente no Lula” significa potencializar o combate ao imperialismo ianque. É absolutamente falsa ao quadrado esta desculpa esfarrapada dessas correntes que tentam camuflar sua vergonhosa capitulação à Frente Popular de colaboração de classes. Em primeiro lugar é preciso repetir até a exaustão que Lula em seu terceiro mandato escancarou as portas do Brasil para beneficiar as grandes corporações financeiras do imperialismo global.
A “lenda” vendida pela exquerda na qual o atual gerente da Casa Branca estaria interferindo nas eleições brasileiras em favor de Flávio Bolsonaro beira o ridículo, já que é público e notório que todos os mecanismos (legais e clandestinos) dos EUA em nosso país estão com Lula até o pescoço, a começar pela Rede Globo. Segundo lugar, a suposta “guerra comercial” que teria levado a um conflito entre Lula e Trump nunca existiu de fato, nem no campo econômico e muito menos no político. Em terceiro e definitivo lugar, Lula foi o presidente mais subserviente ao imperialismo ianque dos últimos cem anos, o único da nossa história republicana a declarar apoio explícito a um candidato Democrata à Casa Branca. Nem mesmo os gorilas militares ou o tucano privatista, passando até pelo famigerado Collor, foram tão longe como Lula em afirmar que “pretende manter a relação sólida entre Brasil e Estados Unidos”. Para o lulopetismo o “imperialismo democrático” é benéfico aos interesses nacionais, um escárnio até para qualquer nacionalista consequente.
Desgraçadamente a exquerda revisionista, ou melhor os lulopetistas “menosmalistas” estão conduzindo o movimento operário ao cadafalso pró-imperialista, com o pretexto de “acompanhar as massas”. Como estes charlatães do trotskismo pretendem combater Trump se o atual governo petista neoliberal é seu súdito econômico em todas as áreas do país, ou já esqueceram de quem está entregando as “Terras Raras” de Goiás (Serra Verde) para uma mineradora norte americana (Rare Earth)? Será que estes embusteiros revisionistas não se lembram que foi Lula que privatizou grande parte a Petrobrás, vendendo o maior lote de ações ordinárias e preferenciais de toda história da maior estatal brasileira?
Que tipo de amnésia política estão sofrendo o PSTU, CST, MRT e a OCI para afirmar que votando “criticamente” em Lula estariam “lutando” contra o imperialismo? Não existe combate anti-imperialista algum em apoiar este engodo eleitoral capitalista, que reúne o grosso da burguesia nacional “vira lata”, sócia minoritária e subalterna da Governança Global do Capital Financeiro.
Quem realmente acredita que depois de dois anos do governo Trump, Lula em algum momento se contrapôs seriamente ao genocida do povo palestino? A resposta só tem uma alternativa: a exquerda revisionista! Lula teve algumas oportunidades de encontrar pessoalmente o carniceiro Republicano, mas o que assistimos foi um verdadeiro “show do imperializado”, por parte do líder petista. Porém agora nas vésperas da eleição brasileira, mesmo sem tomar nenhuma medida efetiva contra os EUA, muito pelo contrário, Lula começou a “murmurar” inocuamente contra Trump, nada mais do que a velha demagogia eleitoreira. Isso já foi o bastante para o “time” dos lulistas de “segunda linha” anunciar que apoiar o quarto mandato do pelego colonizado poderia ser uma alavanca para o combate anti-imperialista das massas.
É absolutamente correto asseverar que o clã Bolsonaro é uma escória de cadelinhas fascistas, sempre dispostos a bater continência diante da bandeira do imperialismo ianque. Entretanto se Lula não chega ao asqueroso ridículo de beijar o estandarte dos EUA, não fica por menos na essência pró-imperialista, ao oferecer apoio aos globalistas do Partido Democrata, os mesmos que destruíram a Líbia, Síria Líbano e organizaram o golpe militar de 1964 no Brasil. São esses “Democratas” imperialistas que Lula diz prestar apoio político e depositar sua confiança integral. Será mesmo um “avanço” na consciência do proletariado brasileiro disseminar a ideia de que existe um “imperialismo mal” com Trump, e um “imperialismo bom” com Lyndon Johnson, Obama e Biden?
Os Marxistas Leninistas da LBI não cederão ao amálgama ideológico dó lulopetista, uma espécie de Social Democracia latino-americana, um apêndice direto do imperialismo global, seja norte-americano ou europeu. Por outro lado, PSTU, CST, MRT, OCI… que compõem o Time revisionista, mostram o que realmente são: uma mancha apodrecida na bandeira do programa da IV Internacional, que declarou sua guerra implacável aos governos burgueses da Frente Popular!
