Mais de meio milhão de ativistas manifestaram-se ontem em toda a França, durante uma jornada de mobilizações populares contra o alto custo de vida, um dia marcado pelo incêndio da prefeitura de Limoges, por 1.200 detenções em várias cidades e por confrontos graves com a polícia “civilizatória”, tão decantada pelo lulopetismo. Um jovem de 17 anos perdeu a mão direita devido à explosão de uma granada lançada pela polícia na cidade de Saint-Étienne. Este é o segundo caso do tipo; o uso de granadas pela polícia já havia sido suspenso dias antes, após um incidente em Lens, onde outro jovem, de 15 anos, também perdeu a mão.
Em Tours, um jovem de 16 anos sofreu uma lesão ocular grave provocada por uma bala de borracha disparada pela polícia. Em Saint-Ouen-l’Aumône, um jovem de 14 anos sofreu ferimentos graves na mandíbula. Na terça-feira, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, anunciou a abertura de dez investigações internas sobre os excessos cometidos pelas forças de choque. Durante a tarde, em Limoges, dezenas de manifestantes invadiram a prefeitura, incendiaram o prédio e destruíram o andar térreo. A polícia refugiou-se no edifício e utilizou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão que se encontrava na esplanada.
Ontem (17/10) a polícia deteve 1.200 manifestantes em todo o país. Segundo o Ministério do Interior, cerca de 6.100 pessoas foram detidas desde o início dos protestos, em setembro, nos bairros operários de Paris. A polícia registrou 140 ações distintas por todo o país, mobilizando 550.800 pessoas. A central sindical pelega CGT, que participou dos protestos, estimou a participação em 800.000 pessoas. O chamado para ir às ruas teve uma repercussão especial entre os jovens. Mais de 1.800 manifestantes serão processados, incluindo 1.483 menores de idade. O gabinete do Primeiro-Ministro, por meio de Sebastien Lecornu, estimou o número de feridos em pelo menos 215.
As mobilizações reuniram antigos “coletes amarelos” (movimento proletário) e estudantes, formando uma corrente política heterogênea, impulsionada por um descontentamento crescente com o regime diante dos aumentos de preços. Ruas inteiras em Paris “foram devastadas”, afirmou o Vice-prefeito da capital, Emmanuel Grégoire. A tensão aumentou rapidamente nas imediações da Praça da República, ponto de partida da principal manifestação. A polícia utilizou gás lacrimogêneo em diversas ocasiões para conter os manifestantes, a maioria com o rosto coberto e vestida de preto. Alguns lançaram artefatos pirotécnicos, como sinalizadores e bombas de festim.
A polícia esperava cerca de 150.000 manifestantes na região metropolitana de Paris e perto de 40.000 na capital, previsões que acabaram sendo superadas. Os gritos mais entoados foram “Macron, renúncia” e “Todo mundo odeia a polícia”. Em La Rochelle, os manifestantes desfilaram atrás de uma faixa que dizia: “Revolução ou Morte!”.
Os órgãos da mídia corporativa não escaparam da ira popular. Foram realizadas 21 detenções após uma ação em frente à sede da emissora CNews, durante a qual foram lançados objetos. Também foram registrados incidentes em outras cidades. Em Marselha, uma delegacia da polícia municipal foi atacada. Milhares de manifestantes também invadiram o saguão de entrada da prefeitura, após abrirem a porta entonaram: “É uma revolução! Estamos tomando a Bastilha!”.
Uma delegacia de polícia em Bordeaux foi destruída, enquanto em Lyon os manifestantes incendiaram um posto de turismo. A tropa de choque dispersou, com gás lacrimogêneo, cerca de 300 militantes que haviam se reunido em frente à universidade. Em Toulouse, a polícia interveio para impedir o bloqueio de trens e de uma rotatória rodoviária.
A França, segunda maior economia imperialista da zona do euro, governada pela nova Social Democracia financeira, enfrenta uma situação de forte endividamento público, em um clima de crise social bastante tensa devido ao acentuado aumento dos preços dos combustíveis, por conta da sabotagem contra os produtos da Rússia.
Os Marxistas Leninistas da LBI que pacientemente tem explicado a vanguarda proletária e a militância política classista sobre o caráter inútil da participação eleitoral dos Revolucionários nesta etapa histórica da Nova Ordem Mundial do Capital Financeiro, saúdam a entrada em cena internacional da ação direta das massas francesas, alertando que somente a tomada do poder operário pela via insurrecional armada poderá apresentar uma saída progressista para a crise estrutural do capitalismo.
