Neste 28 de julho de 2026, completou-se 72 anos do nascimento do Comandante Bolivariano Hugo Rafael Chávez Frías. Nesta data, quando se pode recordar suas palavras radicalizadas e ações concretas em defesa da soberania nacional e de sua “limitada resistência” (não podemos omitir sua natureza de classe burguesa) ao imperialismo ianque, a realidade da Venezuela resulta em um contraste brutal com a plataforma por que Chavez defendeu.
Desde o sequestro do presidente constitucional Nicolás Maduro por parte das forças militares ianques, em colaboração com a então vice-presidente Delcy Rodriguez, o país caiu sob uma clara tutela econômica e política dos Estados Unidos.
Delcy Rodríguez, presidente interina, encabeça agora um governo cypaio neoliberal, que abandonou completamente a prática do antiimperialismo e a defesa da soberania nacional que caracterizou o discurso e a ação do Comandante Bolivariano.
As negociações políticas, o levantamento de sanções pessoais, a abertura do setor petroleiro e os investimentos norte-americanos foram às condições ditadas diretamente por Washington. As operações militares conjuntas e o tom de “cooperação” com o governo genocida de Trump substituíram o confronto histórico do nacionalismo e venezuelano.
O Comandante Chavez insistiu que a independência não fosse negociada e que o povo soberano não aceitasse tutelas do imperialismo. Hoje, esse legado parece diluído: a retórica antiimperialista foi censurada ou desaparecida totalmente do discurso oficial. Um governo traidor e entreguista, que opera nestas condições de servilismo não pode ser apresentado legitimamente como continuador do projeto Bolivariano, como deseja a exquerda reformista.
O proletariado bolivariano e os setores que foram protagonistas nas lutas de 1989, 1992 e no processo iniciado em 1999, não podem seguir em silêncio nem prestar apoio acrítico ao governo vendido de Delcy Rodríguez.
Permanecer chamando esse engodo de “Bolivariano”, equivale a legitimar uma ruptura reacionária com os princípios de autodeterminação que Chávez impulsionou, mesmo que parcialmente. Honrar a memória do Comandante Chavez exige defender a soberania real, rechaçar qualquer forma de tutela imperialista e exigir a derrubada revolucionária deste regime títere de Washington.
