O que começou como um simples protesto contra o resort da família Trump em uma ilha turística albanesa se transformou em uma rebelião permanente de massas contra o governo lacaio do Primeiro-ministro Edi Rama. Todos os mais antigos militantes do movimento operário devem recordar da “Lenda Albanesa” contada pelo PCdoB, como sendo o “único país realmente socialista” do Planeta. Passados mais de trinta anos, o regime maoísta da Albânia, dirigido pelo histórico burocrata Enver Hoxha, ruiu sem deixar vestígios do seu suposto “socialismo verdadeiro”, se convertendo hoje em uma colônia financeira da burguesia rentista norte-americana. Porém as massas populares voltaram ao centro da cena político do país, deflagrando uma autêntica rebelião popular, que já ficou conhecida como a “Revolução dos Flamingos”.
Os protestos populares passaram a concentrar-se na capital Tirana, especialmente na Praça Skanderbeg, do gabinete do Primeiro-Ministro. As manifestações diárias atraíram dezenas de milhares de participantes, enquanto mobilizações de maior dimensão, tanto a nível nacional como focadas na diáspora, tiveram lugar nos dias 10, 13 e 20 de Junho. O protesto de 20 de Junho tornou-se a maior manifestação do movimento de massas na história, do país, com os meios de comunicação corporativa estimando em mais de 250.000 pessoas.
O movimento multitudinário foi descrito inicialmente pela exquerda reformista como “descentralizado” e liderado por jovens da chamada “Geração Z”, porém nada mais enganoso, exatamente porque a classe trabalhadora também entrou de cabeça na Rebelião Popular, e agora já colocou em debate a questão do controle político do poder estatal.
