O presidente cubano Miguel Díaz-Canel sintetizou os planos da Burocracia Castrista de pôr em marcha acelerada a restauração capitalista em Cuba no discurso de encerramento da sessão extraordinária do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba: “Quando a vida do povo se torna tão difícil, o primeiro dever do Partido Comunista e do Governo Revolucionário não é explicar melhor a crise, mas mudar tudo o que precisar ser mudado para sair dela.” A instância partidária foi convocada após o mandatário anunciar uma série de reformas econômicas e políticas que estão sendo debatidas na Assembleia Nacional do Poder Popular. As medidas debatidas preveem uma maior abertura ao capital privado, incluindo flexibilizações financeiras e a ampliação dos investimentos estrangeiros. Também incluem a eliminação do monopólio do comércio exterior, a extensão para até 99 anos do usufruto de terras destinadas a investimentos estrangeiros e a autorização para a abertura de bancos privados.
Miguel Diaz desta forma opera a continuidade na economia cubana, em um grau ainda mais elevado, a introdução de mecanismos mercantis de dependência financeira com países capitalistas (centrais e periféricos), tornado o Estado Operário cada vez mais refém do fluxo mundial de capitais (grandes investidores globais). A fidelidade “canina” de Diaz Canel as linhas estratégicas da burocracia castrista, decorre do simples fato de Miguel representar um setor mais tecnocrático e “sem luz própria” da própria burocracia cubana, diretamente vinculada aos “negócios de estado” e com pouca relação com a política mais geral socialista.
Segundo Díaz-Canel: “É necessária uma agenda econômica profunda e ágil, executável no curto prazo, que combine estabilização macroeconômica, incentivos para estimular e promover uma abertura produtiva, segurança jurídica, atração de investimentos, uso intensivo de tecnologia e uma proteção social focalizada e eficaz”, afirmou sintetizando o plano de “transição” a economia de mercado apoiada pela China.
A China enviou recentemente 15.000 toneladas de arroz para Cuba, porém Xi Jinping alertou ao colega Díaz-Canel que armas e material bélico para defesa da ilha estão vetados. Não por acaso, o embaixador chinês em Cuba, Hua Xin, acompanhou pessoalmente a entrega do arroz no porto de Havana. Entretanto o diplomata asiático alertou ao governo cubano a impossibilidade de seu país fornecer armas ou qualquer material bélico de defesa para a Ilha, afirmando que Xi Jinping teria um acordo com a Casa Branca que impossibilita o envio deste tipo de carga para Cuba e também para a Nicarágua.
Por fim Díaz-Canel descreveu a burocratização do Estado Operário como elemento decisivo para a restauração capitalista: “Há entraves que não vêm de fora nem dos bloqueios. Há lentidão, burocracia, normas que dificultam a vida de quem quer produzir e decisões que adiamos. Aquilo que depende de nós, precisamos mudar nós mesmos, e precisamos mudar agora. À resistência devemos a pátria, mas hoje a resistência, por si só, não basta. Este tempo exige que transformemos, produzamos mais, destravemos processos, escutemos mais, decidamos melhor e prestemos contas”. Durante sua intervenção, e referindo-se aos debates que atravessam o país sobre os caminhos a seguir, Díaz-Canel admitiu que algumas das medidas propostas “não terão consenso absoluto”, embora tenha insistido que se tratam de decisões “inadiáveis”.
Em resumo, sob intensa pressão do imperialismo ianque e com apoio da China, a Burocracia Castrista anunciou uma série de reformas econômicas que, se implementadas, poderiam levar à destruição das conquistas da Revolução Cubana. As reformas desmantelariam o que resta da economia planificada e permitiriam a propriedade privada quase irrestrita e a penetração econômica imperialista na ilha.
Como nos ensinou Lenin que pessoalmente em sua época celebrou vários acordos comerciais com o imperialismo europeu, é necessário aproveitar as fissuras da crise imperialista sem “baixar a guarda” de uma política que convoque permanentemente a mobilização do proletariado mundial contra a atual ofensiva neoliberal contra os povos. Nesta perspectiva revolucionária não podemos confiar na burocracia Castrista, que busca conservar o atual regime estatal cada vez mais sob as bases de concessões econômicas e políticas.
Frente a esta disjuntiva histórica, está colocado a construção do genuíno Partido Operário Revolucionário na Ilha com o objetivo de avançar nas conquistas sociais e do chamado a expropriação da burguesia mundial, se opondo a política de colaboração de classes das direções reformistas, rompendo desta forma o isolamento de Cuba por meio da vitória da revolução proletária em outros recantos do planeta!
A “mediocridade” ideológica de Diaz Canel poderá levar Cuba a trilhar caminhos da restauração capitalista a passos bem largos. A tarefa revolucionária de construção de um verdadeiro Partido Marxista Leninista e da revolução política em Cuba se mantém mais vigente do que nunca na “Ilha Socialista”.
A militância da LBI está participando das plenárias e reuniões das atividades em defesa da Cuba. Nestes encontros temos proposto a solidariedade ativa contra a ameaça imperialista a Cuba, defendendo que os sindicatos e entidades de luta convoquem plenárias e organizem marchas nos países do continente em defesa da revolução cubana.
A campanha Defensista Revolucionária que desenvolvemos por manifestações de massas em defesa de Cuba, tem como eixo a exigência do armamento geral da população e a recriação dos Conselhos Populares em Cuba vai além da ajuda humanitária promovida pelos governos russos, chinês, o “turismo de esquerda” ou das “flotilhas humanitárias”. Visa garantir que o Estado operário Cubano, os trabalhadores da ilha e a solidariedade ativa possam juntos enfrentar de fato o cerco imperialista!
