Temporariamente os bloqueios nas estradas bolivianas começam a diminuir. Neste final de semana, somavam 78, concentrados em cinco departamentos: La Paz, Oruro, Potosí, Santa Cruz e Cochabamba (El Deber, 14 de junho). A Federação Unificada de Trabalhadores Indígenas de Chuquisaca (FUTPOCh) decidiu suspender os bloqueios em sua última assembleia aberta e declarou recesso até sua próxima reunião ordinária ampliada em 20 de julho, um verdadeiro absurdo!
Bloqueios estratégicos, como o que impedia o acesso ao depósito da YPFB em Senkata, El Alto, também foram suspensos.
O reacionário presidente Rodrigo Paz conseguiu criar uma significativa cisão dentro da COB. A Confederação Geral dos Trabalhadores de Fábricas (CGTFB) retirou-se da luta em troca de uma “agenda de trabalho para a indústria e a criação de empregos sem bloqueios”. Os sindicatos departamentais dos trabalhadores de Cochabamba e Chuquisaca exigem que a Central Operária Boliviana (COB) suspenda seus protestos e participe de uma “mesa de diálogo” com o neofascista Paz.
A reunião ampliada da COB, marcada para sábado, foi adiada para o último domingo, dia 14, e depois suspensa novamente devido à falta de “garantias de segurança”, sem nova data definida . Esta reunião da COB foi até interrompida por um pequeno grupo de manifestantes que insultaram e atiraram tomates contra os líderes sindicais burocráticos.
Porém mais do que a dura repressão estatal, o que impulsiona o atual refluxo do movimento de massas e do proletariado é a cooptação política das direções políticas na perspectiva da institucionalidade burguesa “democrática”.
Diante da crise de poder, o POR Lorista(Partido Operário Revolucionário )propõe formalmente a instauração de um governo operário e camponês, abrindo mão de sua histórica palavra de ordem de Ditadura do Proletariado e do armamento da classe operária. Desta forma o POR evita um confronto direto e revolucionário com a traidora direção da COB. Nem a COB e tampouco a esquerda revisionista questionam a reformista defesa da “Constituição e do Estado plurinacional”, levantada pela Social Democracia do apologistas do Evismo(Evo Morales).
O colapso econômico do “capitalismo andino” e do “Estado Plurinacional”, está em sua etapa mais aguda, onde nenhuma gerência estatal burguesa tem condições de reverter! Apesar de toda sabotagem, a rebelião das massas bolivianas contra Paz continua, mesmo encontrando-se em uma dramática encruzilhada política. É necessário forjar uma nova direção para a classe operária, caminhando na senda da ruptura total com o regime da Democracia dos Ricos e sua institucionalidade bastarda.
