O DEEP STATE GLOBAL: UTILIZA O ERRÁTICO TRUMP COMO UMA ARMA*

LBI

A expectativa corrente é se Trump vai ou não bombardear o Irã. Uma questão mal colocado por duas ordens de razões. Primeiro, não é Trump quem decide um assunto tão sério e muito menos o Congresso ou o Senado, esses verdadeiros lares geriátricos para pessoas da quarta idade.

Segundo, não será nada do que Trump faz ou diz que fará com que se inicie uma eventual guerra, no ponto em que esta questão, há muito que percebemos ou devíamos ter percebido, da decisão está distante dele, não ao contrário.

Trump é útil ao Deep State, porque lança a confusão, divide as pessoas e no fim, como ele não manda nada, corre para apanhar os louros midiáticos, os mesmos que seus patronos desprezam porque sabem que o poder real é discreto.

Mas mesmo nisso de querer medalhas, Trump é desajeitado, veja-se o que ele fez por um Nobel da Paz que não teve e acabou por aceitar de presente.

É provável que a decisão de bombardear o Irã não tenha sido tomada, em face da ‘comoção mundial’. Houve certamente um impulso de atacar esse país, naqueles dias pós manifestações e desde aí um paulatino mas evidente cerco marítimo começou a ser montado perto das águas do Golfo.

Mesmo antes de todo aquela pornagrafia militar, mais uns navios, mais um porta-aviões, mais uns bombardeiros, mais uns mísseis, o Irã já estava tão condicionado nesta conjuntura nas suas trocas comerciais. Imaginem agora com suas águas vizinhas agitadas por corsários pós modernos.

Esta tática de ‘sufoco’ não resultou em Cuba, apesar dessa nação insular estar tão próxima dos EUA e tão longe de Deus, como alguém disse. O Irã porém é um “bicho“ completamente diferente e está mais próximo da Rússia e da China do que dos EUA, geograficamente falando, quero dizer.

Na verdade o Irã nem precisa de fechar o estreito de Ormuz, oficialmente: basta que diga que não garante a segurança de nenhum petroleiro com destino ao Ocidente, para que os seguros disparem o que, naturalmente, encarecerá os combustíveis em todo o mundo.

A ironia de tudo isto é que os EUA estão neste momento, tão focados no domínio de certas parcelas do mundo que descuraram seu próprio país. O cerco ao Irã, desenhado como demonstração de força, revelou que os EUA não poderiam agora defender seu território, caso ele fosse atacado, tal a dispersão militar que enfrenta ao enviar seus militares para tão longe de casa.

Evidentemente ninguém espera que os EUA sejam atacados, muito menos quem agita esse fantasma, caso contrário colocaria suas costas a salvo em vez de dispersar forças lá, onde “Judas perdeu as sandálias”. Mas ninguém deixará de notar a fragilidade deste conceito de ‘dominar o mundo’ enquanto já nem a própria casa se é capaz de defender.

Lembrei-me então de Aníbal e seu exército assediando as muralhas de Roma, enquanto sua bela Cartago permanecia relativamente desguarnecida, considerando então, numa manobra ousada liderada pelo general romano Cipião Africano, os romanos decidiram atacar Cartago ainda com sua capital imperial sob cerco.

Quase se produziu um fato inédito na História, os cartagineses tomando a capital inimiga e os romanos tomando Cartago. Mas Aníbal desistiu do cerco para socorrer Cartago, então uma cidade exposta, candidata ao título de cidade aberta. Aníbal foi derrotado na Batalha de Zama, e Cartago foi destruída, para sempre.

Não estou a sugerir que algo semelhante vá acontecer de novo, apenas que a lição de Cartago não foi bem aprendida pelos atuais candidatos a hegemonia mundial.