Após a vitória parlamentar dos Democratas nas eleições de meio mandato nos EUA, os midiotas da exquerda reformista passaram a preconizar este fato eleitoral como se fosse a própria queda do “Império Romano”. Esses cretinos ignorantes sequer “suspeitam” que o Deep State ianque e seu aparato militar de “inteligência”, como a CIA e o Pentágono, tem um poder real de mando sobre os rumos do imperialismo norte-americano muito acima de qualquer gerente(presidente) de turno da Casa Branca, seja um Republicano ou Democrata. Nas últimas seis décadas, a CIA transformou-se em um “Estado dentro do Estado”, capaz de se opor completamente ao mandato presidencial. Podemos verificar que no assassinato de Kennedy ou mais recentemente na Pandemia da Covid, o Deep State passou literalmente por cima da soberania do ocupante da Casa Branca.
O atual “confronto” entre Trump e Obama não é uma simples divergência de pontos de vista político, trata-se de uma mudança estrutural nos aparelhos de segurança militar dos Estados Unidos. De um lado os Democratas Globalistas, hoje totalmente alinhados com o Deep State, do outro Trump e sua fração burguesa minoritária dos Soberanistas Ianques.
Outro bom exemplo do que estamos afirmando são as declarações de Trump contra Zelensky, dizendo que ele é um obstáculo para alcançar um cessar-fogo e acusando-o de prolongar a guerra. Revelam uma desconexão estratégica. Enquanto a Casa Branca protesta contra a escalada e ameaça cortar o fornecimento de recursos operacionais para frear as incursões da Ucrânia contra refinarias russas, a máquina de inteligência do Deep State fornece cobertura via satélite em tempo real, suporte tático e apoio logístico de ponta. A infiltração norte-americana nos serviços de segurança ucranianos, um processo conduzido de forma exaustiva após o golpe de Estado de 2014, criou um vínculo orgânico com a CIA que o atual gerente da Casa Branca não consegue romper.
O paradoxo reside na arquitetura construída em torno da Lei de Segurança Nacional. John Ratcliffe, diretor da CIA, atua em um ambiente burocrático onde a lealdade formal ao presidente entra em conflito diário com os interesses permanentes da “rede de inteligência”. Ao contrário dos dirigentes políticos das áreas de diplomacia ou defesa , que, por conveniência de carreira ou em busca de consenso, sentem-se obrigados a alinhar seu discurso ao da presidência, os chefes dos serviços de inteligência respondem apenas às suas próprias diretrizes. Trata-se de uma tecnocracia não eleita que sobrevive a mudanças de governo e detém o monopólio das informações classificadas e decisões políticas.
A perda de influência do Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional, enfraquecido por uma reestruturação interna, devolveu à CIA o seu papel histórico. É em torno da agência central que gira toda a rede de inteligência. A organização oficiosa não apenas coleta e analisa dados para transmiti-los aos responsáveis pelas decisões políticas, também molda a política externa na prática. No Leste Europeu, a CIA implementou um curso de ação autônomo, intensificando a frequência e a agressividade das operações clandestinas em comparação com anos anteriores. Essa autonomia funcional demonstra que as orientações políticas oficiais podem ser neutralizadas pela “ação clandestina” da burocracia civil e militar.
Para entender as raízes do atual choque institucional, é necessário rastrear a metamorfose pela qual o regime passou desde 11 de setembro de 2001. Sob o pretexto da “luta contra o terrorismo”, a agência abandonou gradualmente sua missão original, centrada na infiltração humana, no roubo de segredos e na análise política, transformando-se em uma estrutura paramilitar. A criação de programas extraordinários de transferência, prisões secretas, e uma doutrina de assassinatos por meio de drones institucionalizou a violação do direito internacional. Esse desvio encontrou uma consagração burocrática na era Obama, período em que a seleção semanal de alvos a serem eliminados tornou-se o padrão operacional. Essa transformação combinou-se com as políticas de “mudança de regime por meio de guerra híbrida”.
A ação estratégica baseia-se, agora, em uma combinação de manipulação da informação, financiamento de movimentos de oposição, influência em “instituições democráticas” e infiltração em canais de comunicação.
A derrubada do presidente ucraniano Viktor Yanukovych, em 2014, marcou um ponto de inflexão no manual de operações no Leste Europeu, um golpe de Estado longamente preparado, destinado a separar definitivamente Kiev da esfera de influência de Moscou e integrá-la às estruturas otanistas, ignorando as graves advertências da Rússia para o risco de uma Terceira Guerra Mundial.
