O Blog da LBI entrevistou o companheiro Antônio Queiroz, dirigente da Juventude Bolchevique e estudante do Instituto Federal de Ciência, Educação e Tecnologia do Estado do Ceará (IFCE) sobre os desafios em defender uma política revolucionária diante da polarização eleitoral neste segundo turno da eleição presidencial entre as candidaturas da exquerda domesticada e a direita institucional.
Blog da LBI: Como avalia a política do governo Lula para o ensino técnico federal?
Antônio Queiroz: Os Institutos Federais sofreram graves ataques durante o governo Lula, assim como havia ocorrido na gestão de Bolsonaro. Não por acaso, em 2024, houve uma greve de mais de 60 dias de professores e servidores que paralisaram as atividades com o apoio dos estudantes, apesar das entidades sindicais e estudantis sempre buscarem preservar o governo petista. Nos últimos dois anos houveram cobranças para que os acordos das greves fossem cumpridos mas nada resultou em melhora para os estudantes e servidores, a refeição continua de baixa qualidade e com restrito acesso e falta verbas para investir nos laboratórios, pesquisas e na própria estrutura acadêmica dos IFs.
Blog da LBI: Como está a disputa eleitoral dentro do IFCE neste segundo turno?
Antônio Queiroz: A polarização eleitoral está muito forte, com as entidades estudantis, grêmio e DCE, buscando nos convencer a votar em Lula. Nós que formamos o Núcleo da Juventude Bolchevique aqui no IFCE, assim como camaradas espalhados em outros estados do país, estamos enfrentando essa pressão através de uma ampla discussão política, com reuniões, panfletos, adesivos e passagens em salas para expor nossa posição de boicotar esse circo eleitoral da democracia fraudada através do Voto Nulo, combatendo ambas candidaturas inimigas dos estudantes!
Blog da LBI: A posição de Voto Nulo gera muito isolamento político entre a juventude?
Antônio Queiroz: Sim, sem dúvida ocorre esse isolamento, mas na medida de conversarmos com nossos colegas e até mesmo com professores e servidores expomos que ambos governos e candidatos cortaram verbas e deixaram a educação pública federal à míngua. Lula ampliou a rede de IFs pelo país mas sem as mínimas condições de funcionamento, deixando a comunidade acadêmica totalmente vulnerável. Como somos jovens estudantes temos que enfrentar essa realidade construindo uma alternativa política que enfrente tanto o Lulismo como o Bolsonarismo, reconquistando nossas entidades representativas para a luta direta independente do governo de plantão, mas a UBES e a UNE tentam fazer uma política de acordo, não impulsionando seriamente as mobilizações. Agora apareceram nas vésperas das eleições para fazer campanha para a candidatura do PT.
Blog da LBI: A juventude é chamada a votar em Lula para “combater os fascistas”, como você responde a essa questão?
Antônio Queiroz: O maior fascista no Brasil é Alexandre de Moraes que é aliado de Lula, além de corrupto ele ataca a liberdade de expressão, dos direitos democráticos e manda prender quem o critica. Moares é aliado de Lula, então o PT não tem qualquer moral para dizer que “combate os fascistas”. Por sua vez, os bolsonaristas são de fato direitistas institucionais, mas precisam ser derrotados na luta direta, porque pela via eleitoral eles estão crescendo justamente pelas desilusões com os seguidos governos petistas. Nós não fazemos do bolsonarismo um espantalho fascista para justificar capitulações escandalosas diante da Frente Popular.
Blog da LBI: Que desafios os estudantes têm no próximo período?
Antônio Queiroz: Em primeiro lugar vamos preservar nossa independência política não votando nos dois candidatos inimigos da educação, boicotando a farsa eleitoral. Dado esse passo, vamos organizar a resistência direta no interior dos Institutos Federais para combater os ataques, seja qual governo for, o de Lula ou Flávio!
