O Bolchevique Léon Trotsky afirmou um pouco antes do seu assassinato, pelo stalinismo, em 1940, que “Um Comunista só poderia receber um ‘certificado’ de revolucionário após a sua morte”. Se referia claramente as deserções de classe que ocorriam em centenas de militantes na III e também até no seio da IV Internacional. Desgraçadamente Leujeune é um “exemplo morto” da assertiva de Trotsky. Militante de várias décadas no interior do PCdoB, sua trajetória ficou marcada pelo apoio a causa do povo palestino, pelo menos até a completa conversão ideológica da organização stalinista em um apêndice de “esquerda” do chamado imperialismo “democrático”. Em 7 de outubro de 2023, uma heróica ação da Resistência Armada Árabe, contra o enclave sionista de Israel, dirigida pelos combatentes do Hamas, colocou novamente no centro do cenário mundial a “Questão Palestina”.
Todos os genuínos Marxistas Leninistas do planeta saudaram vigorosamente a “Operação Dilúvio de Al-Aqsa”, apesar do cerco asqueroso da mídia corporativa mundial e inclusive da exquerda burguesa Social Democrata, na qual o PCdoB está inserido. Também esperávamos um pronunciamento firme de Leujeune Mirhan em solidariedade ao Hamas e Jihad Islâmica, protagonistas do comando da Resistência Palestina. Porém Leujeune não mais seguia sua militância pelos princípios do Marxismo, acompanhando fielmente a orientação política Social Democrata do PCdoB, Mirhan calou-se totalmente em relação ao Hamas, expondo uma condenação velada aos supostos “métodos violentos” da guerrilha palestina.
Como Marxistas Leninistas não vamos comemorar a morte de Leujeune ocorrida ontem(06/08), respeitamos seu passado militante, entretanto sua desaparição física do planeta não “santifica” sua recente trajetória política, crivada pela covardia política em apologia a conciliação de classes com os inimigos históricos do povo árabe e palestino.
Nascido em Corumbá (MS), Lejeune Mato Grosso Xavier de Carvalho começou sua militância na década de 1970, no movimento estudantil da PUC Campinas. Pela mesma Universidade , graduou-se em Ciências Sociais em 1981 e concluiu o mestrado em Filosofia em 1984. Por 20 anos, foi professor na Universidade Metodista de Piracicaba.
A partir de 1982, começou a dedicar-se à causa palestina, tendo escrito livros e centenas de artigos sobre o tema. No final dos anos 2000, adotou o nome Lejeune Mirhan, em homenagem a seus ancestrais do mundo árabe. Infelizmente em seus últimos anos, estava completamente comprometido com o programa reformista chinês do “Mundo Multipolar”, negando a revolução socialista como única alternativa diante da barbárie capitalista, Mirhan também se recusou a apoiar as ações armadas da Resistência Palestina, prestando assim um grande tributo ao imperialismo e seu braço terrorista de Israel.
