Esta semana foi marcada pelo 85.º aniversário da invasão da União Soviética pela Alemanha nazista, no maior crime de agressão imperialista da história da humanidade. Porém o que a esmagadora maioria dos historiadores “marxistas” não relatam é que Hitler foi “armado até os dentes” pelo governo norte-americano, utilizando a falência da República de Weimar (regime que ruiu para dar lugar ao nazismo) para empoderar uma marionete nazista contra a União Soviética. A Alemanha derrotada e humilhada na Primeira Guerra Mundial (Tratado de Versalhes), não tinha recursos econômicos sequer para fabricar a primeira fileira de tanques da gigantesca Operação Barbarossa.
O imperialismo ianque, que tomou para si as “glórias de antinazista”, somente decidiu formalmente entrar em campo de batalha no final da Grande Guerra basicamente por duas razões: O devastador ataque japonês a sua base militar em Pearl Harbor e o fiasco do III Reich em derrotar Stalin e destruir o Estado Operário. De fato a única guerra travada pelos EUA foi contra o Japão, a outra guerra contra a URSS foi levada a cabo “por procuração” pela Alemanha.
Também nesta semana, os novos panzers alemães(tanques), à serviço da Governança Global do Capital Financeiro, com a sua distintiva insígnia da Cruz de Ferro, avançavam em direção à fronteira da Rússia, juntamente com outros parceiros da OTAN , em um exercício militar cinicamente denominado, como “Operação Escudo da Liberdade”. É verdadeiramente irônico como a história, em uma escala tão criminosa, está se repetindo e de forma descarada, primeiro com o “laranja” nazista Hitler, agora com outro “laranja” nazista: O ucraniano Zelensky.
Para registro da história, em 22 de junho de 1941, a Alemanha nazi lançou a maior invasão militar de que há registo nas guerras modernas. A Operação Barbarossa mobilizou três milhões de soldados alemães, juntamente com unidades de países aliados. A blitzkrieg (guerra relâmpago) abriu o maior teatro de operações da Segunda Guerra Mundial, conhecido na Rússia como a Grande Guerra Patriótica. Pelo menos 27 milhões de cidadãos da União Soviética foram mortos, a maioria dos quais civis. Imagens da época mostram filas e mais filas de pessoas sendo fuziladas e atiradas para valas comuns. Em uma atrocidade notória, em setembro de 1941, mais de 33000 civis foram executados em apenas dois dias numa ravina em Babi Yar, perto de Kiev.
Quatro anos mais tarde, o Exército Vermelho Soviético combateu a Wehrmacht nazi até à sua derrota final em Berlim. Então o imperialismo ianque pousou de “democrata” e até aliado da URSS, exigindo de Stalin nos Acordos de Yalta a divisão da própria Alemanha e posteriormente de grande parte do planeta em duas grandes áreas de influência política e militar. O Stalinismo celebrou sua claudicação diante dos EUA como sendo uma “vitória dos povos contra o nazismo”.
Justamente oitenta e cinco anos depois, no dia 22 de junho de 2026, tiveram início na Lituânia os exercícios da OTAN liderados pelo exército alemão. O próprio local das manobras militares do imperialismo da semana passada, Probradė, está a cerca de 15 quilômetros da fronteira com a Bielorrússia, que foi palco de massacres perpetrados pelos nazis e pelos seus representantes fascistas europeus.
Tal como na Segunda Guerra Mundial, a Lituânia, os Estados Bálticos e principalmente a Ucrânia estão servindo de instrumentos para a ofensiva imperialista contra a Rússia. Logicamente o atual regime russo está muito distante de ter alguma identidade com a antiga União Soviética. Mas como herdeira do maior arsenal nuclear do planeta, o regime nacionalista burguês de Moscou deve ser submetido aos interesses da Governança Global do Capital Financeiro, e aí reside o problema: Putin não quer ser o novo Yeltsin, nem tampouco assemelhar-se a Xi Jinping, permitindo que as corporações econômicas do rentismo internacional dominem seu país.
Por isso mesmo uma Terceira Guerra Mundial está no iminente horizonte do cenário internacional da luta de classes. A OTAN, criada em 1949, e hoje o braço militar central da Governança Global do Capital Financeiro, está dando continuidade ao que o imperialismo ianque, através da Alemanha nazista não conseguiu.
