GOVERNO “COMUNISTA” CHINÊS COMPACTUA COM A EXPLORAÇÃO DOS MOTORISTAS E ENTREGADORES COMO EM QUALQUER REGIME CAPITALISTA: SÃO DUZENTOS MILHÕES DE “TRABALHADORES AUTÔNOMOS” SEM QUALQUER DIREITO TRABALHISTA

LBI

Na China, o governo supostamente “comunista” compactua com a exploração de duzentos milhões de “trabalhadores autônomos”, com jornada laboral extenuante de 12 horas por dia e sem nenhum direito trabalhista. Os motoristas de entrega chineses fazem parte de um gigantesco setor de logística (“economia gig”) que representa cerca de 25% da força de trabalho no gigante asiático.

Os motoristas de entrega geralmente ganham um pouco mais do que os operários de fábrica(super-explorados pelos oligopólios transnacionais que operam no país), o que explica por que muitos operários migram para esse setor “uberizado”, não apenas pela renda mais alta, mas também pela flexibilidade da jornada de trabalho que lhes falta nas linhas de montagem.

No entanto, as condições de trabalho são extremamente precárias. Este setor do proletariado urbano trabalha por produção, não têm renda fixa e dependem de pedidos, do clima e de multas de trânsito, além do preço dos combustíveis e insumos para manutenção dos veículos. Os salários são compensados ​​por jornadas de trabalho de 10 a 14 horas por dia, viagens de milhares de quilômetros por mês e riscos significativos no trânsito. Eles também enfrentam prazos de entrega rigorosos, multas, trabalho ao ar livre e acidentes frequentes, qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência.

As três maiores empresas de entrega da China são a jd.com, a meituan.com e a ele.me, uma subsidiária do Alibaba, bem conhecida por aqui, além da própria Uber. Os trabalhadores são geralmente classificados como autônomos e terceirizados por meio de empresas intermediárias, o que os exclui de planos de saúde, previdência e outros direitos sociais básicos. A rotatividade de pessoal é alta, e muitos são jovens migrantes de áreas rurais. Essa força de trabalho reflete a transição econômica neoliberal que está ocorrendo na China, da indústria para o setor de serviços.

Assim como em outros países capitalistas, a logística na China inicialmente opera com pouca regulamentação trabalhista. O governo da burocracia restauracionista de Pequim pretende que as plataformas digitais implementem novos ritmos de trabalho, cada vez mais escorchantes, até o próximo ano.

Os apologistas da farsa do “Sul Global” e do “Mundo Multipolar”, parecem esquecer que o gigantismo da locomotiva capitalista chinesa está calcada na extração intensiva da mais valia do proletariado, que no século passado protagonizou uma revolução socialista, abalando as estruturas da dominação do capital financeiro na Ásia. Desgraçadamente hoje são os burocratas “comunistas” que pretendem ser converter em prósperos imperialistas…