A mídia corporativa, que na verdade promove a desinformação, e o governo “civilizatório” de Emmanuel Macron, falam apenas do vandalismo dos manifestantes na França, contudo até mesmo a “insuspeita” Anistia Internacional denunciou a repressão policial brutal aos protestos populares:“Estamos alarmados com a repressão policial contra o movimento estudantil”, afirmou Anne Savinel-Barras, presidente da Anistia Internacional na França. Desde o início da mobilização dos estudantes, em 21 de setembro, a Anistia Internacional tem alertado sobre os métodos fascistas empregados pela polícia contra os estudantes. A organização que é uma colateral da ONU, denuncia o uso de balas de chumbo, granadas e gás lacrimogêneo, bem como a realização de detenções ilegais em massa.
Segundo dados do Ministério do Interior do próprio governo “democrático”, mais de 5.000 ativistas foram detidos até o dia 2 de outubro, dos quais 86% eram menores de idade. O número de ferimentos graves aumentou exponencialmente. O quadro da repressão estatal se assemelha exatamente a um cenário fascista, muito semelhante ao vivido no Chile durante a ditadura militar de Pinochet.
Na França e em outros países capitalistas ocidentais, onde vigora o “Estado de Direito”, o manual repressivo da polícia baseia-se no cerco aos manifestantes, no uso intensivo de granadas e no disparo de balas de borracha. O objetivo é intervir diretamente contra as multidões insurgentes. Essa estratégia, em vez de evitar confrontos, acabou unindo os manifestantes franceses em seu combate à polícia.Trata-se de um paradoxo ainda mais preocupante, visto que o próprio governo francês reconhece o seu fracasso. “Inquestionavelmente, fracassamos neste fim de semana”, declarou Gérald Darmanin, Ministro da Justiça.
Essa lógica de intervenção militar estendeu-se aos tribunais, onde, após o dia 17 de outubro, multiplicaram-se os julgamentos sumários, com sentenças que incluem penas de prisão, aplicadas, por vezes, a acusados que não possuíam antecedentes criminais. São imigrantes, trabalhadores, estudantes, funcionários públicos, “coletes amarelos” e jovens em geral. Os meios de comunicação difundem slogans fascistas e xenófobos, é um cenário muito parecido com a Alemanha de Hitler.
O governo Macron também planeja recorrer a uma intervenção direta do exército e a unidades terroristas especializadas da polícia. É a chamada “Operação Sentinela”, com toque de recolher e tanques nas ruas. Agora fica a pergunta para a exquerda reformista, não era a extrema direita institucional que iria sedimentar um regime fascista? A realidade concreta da luta de classes internacional aponta em outra direção, são os governos “civilizatórios e democráticos” que caminham aceleradamente para implantar regimes bonapartistas de exceção, muito semelhantes politicamente ao neofascismo.
