É cada vez mais forte o chamado do ativismo da esquerda classista de convocar as massas para Votar Nulo nas eleições gerais deste ano. O cenário nacional marcado pela “disputa” no bojo das alternativas do gerenciamento capitalista neoliberal entre o Lulopetismo e o Bolsonarismo, duas candidaturas burguesas com colorações políticas distintas mas que representam os mesmos interesses de classe, fazem crescer a rejeição latente na vanguarda classista a esse binômio entre a exquerda domesticada e a direita institucional controlado pela classe dominante.
Não por acaso diversos coletivos que se dizem marxistas e correntes políticas da esquerda, têm aderido a essa posição justa, do ponto de vista da revolução proletária. Saudamos esse avanço mas alertamos que apesar de ser extremamente progressiva a defesa do Voto Nulo, a LBI esclarece nesta “Carta Aberta” que não basta somente fazer campanha pelo Voto Nulo se esta batalha político-programática fundamental não estiver necessariamente ligada a vigorosa denúncia ativa da fraude eleitoral eletrônica, onde não é o voto do cidadão brasileiro que decide a eleição! Estamos atravessando a etapa histórica da democracia burguesa decadente, em que o resultado eleitoral não é simplesmente uma deformação da vontade soberana popular, como definia Lenin há cem anos atrás, mas sim uma inversão completamente manipulada do voto universal!
Sem essa conclusão marxista todo esforço e combate para avançar na consciência de nossa classe para destruir e superar a ordem capitalista vigente e suas instituições corruptas ficam limitados ao “voto de protesto” dentro do próprio sistema eleitoral burguês manipulado eletronicamente pelo TSE, sem que ocorra uma aferição material do voto, e que atua em escala nacional a serviço dos interesses da Governança Global do Capital Financeiro.
Para nós somente o controle das organizações políticas do movimento operário sobre todas as instâncias da justiça eleitoral, poderia evitar a fraude e a manipulação eletrônica dos resultados finais, o que logicamente contemplaria a existência do voto físico impresso para o eleitor e para o TSE, além do acompanhamento público da totalização eletrônica realizada em Brasília.
Como se trata de uma “missão impossível” no marco institucional do regime burguês, nossa tarefa deve estar concentrada politicamente na denúncia da fraude eleitoral, avalizada ideologicamente por todas as candidaturas do espectro institucional, desde o PSTU até o PL, uníssonas na defesa do TSE e seu sistema corrupto é fraudulento.
A fraude eleitoral, não nasceu com a urna eletrônica nem tampouco com as pesquisas eleitorais encomendadas, é um produto histórico inerente a própria democracia burguesa. Lenin há mais de um século, estudou os mecanismos do processo eleitoral, no marco da ditadura capitalista, concluindo que seus resultados expressam sempre a forma distorcida da vontade popular. Passadas várias décadas e distintas etapas da correlação de forças da luta de classes, podemos afirmar que hoje o processo político da fraude no interior das eleições representativas não só foi ampliado como tornou-se um sofisticado mecanismo da “indústria” eleitoral. Isto significa que as distorções políticas próprias da democracia burguesa, como o peso econômico dos candidatos ou o apoio que recebem da imprensa corporativa, agora são potencializados pela manipulação direta do voto popular.
A exquerda reformista vem aceitando passiva a introdução da urna eletrônica (agora com leitura biométrica para passar confiabilidade), saudando o atual mecanismo de contagem de votos como um “avanço da modernidade” até porque vem sendo beneficiada pela fraude. O curioso é que países na vanguarda da eletrônica e informática, como o Japão e até mesmo os EUA, não adotaram este sistema virtual, sem nenhum tipo de voto impresso, pela insustentabilidade de sua aferição física e material.
No mecanismo da urna eletrônica não há a menor chance de contestação do resultado por parte do eleitor, já que seu voto é apenas virtual. Em outros sistemas eletrônicos de votação, cada registro do voto virtual deve necessariamente ter um correspondente físico discriminado o nome ou número do eleitor e sua cédula perfurada com a escolha de seus candidatos, feita a leitura eletrônica da cédula esta vai para um depósito lacrado que pode ser aferido e comprovado ao menor indício de fraude. Este “esquema” fraudulento adotado pelo Brasil na era FHC, permite que o programa de totalização eletrônica, regido por um software norte-americano, proclame qualquer resultado ao “gosto” do cliente rentista que tenha a hegemonia global do momento.
No Brasil a suposta “modernidade” eleitoral que completou 30 anos com a implantação do voto eletrônico está a serviço do controle da soberania popular por parte das oligarquias políticas dominantes, sempre subordinadas aos grandes Fundos de Investimentos internacionais.
É bem verdade que a fraude eleitoral em curso no país é um processo mais profundo do que apenas a urna roubotrônica, envolvendo o controle restrito da totalização nacional de votos, os “institutos” de pesquisa e, por fim, o próprio financiamento bilhardário das principais campanhas, isto sem falar é claro da manipulação política exercida pelos monopólios da mídia corporativa.
A chamada “oposição de esquerda” como o PSTU, PCB, UP, PCO… seguiu o mesmo caminho do reformismo “chapa branca”, e se recusa a denunciar a urna eletrônica, como parte integrante deste grande embuste representado por este regime bastardo da democracia dos ricos e seu escopo institucional. Essa “Carta Aberta” ao ativismo da esquerda classista vem no sentido de convocar os lutadores, coletivos, agrupamentos políticos combativos que defendem o Voto Nulo a dar um passo adiante para construir Comitês Unificados com o objetivo de denunciar conosco a fraude eleitoral da democracia burguesa decadente! Mãos à Obra!
LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA
