Não há como ter confiança qualquer na burocracia sindical governista da Contraf-CUT/CTB, principalmente em ano eleitoral, quando atua como verdadeiros ministros sindicais de Lula. Para isso, a burocracia colaboracionista da CUT/CTB, integrada politicamente ao Estado capitalista impõe a divisão, a desmoralização e a fragmentação das lutas, subordinando os interesses e as reivindicações históricas dos trabalhadores às conveniências políticas e eleitorais da Frente Ampla burguesa dirigida pelo PT, responsável pela domesticação dos sindicatos e paralisia do movimento operário.
Em 2026 repete o mesmo script da traição, isto é, um processo viciado de construção da campanha salarial que tenta conferir à campanha uma falsa aparência democrática: consulta prévia fajuta à categoria, eventos regionais cujos participantes são filtrados em eleições duvidosas e antidemocráticas, assembleias virtuais, longe da pressão presencial da base. Assim, chegou-se à Conferência nacional da Contraf-CUT, realizada nos dias 19 a 21 de junho, formada majoritariamente por dirigentes sindicais chapa-branca da CUT e da CTB, “eleitos indiretamente” nos fóruns viciados das conferências regionais. Nela, aprovou-se uma pauta rebaixada com generalidades e um eixo econômico de 5% de reajuste real, bem aquém das perdas históricas da categoria e dos lucros dos bancos que alcançaram uma marca histórica de R$ 255 bilhões em 2025, novo recorde, graças à maior taxa de juros do planeta de 15%. Apesar de lucros bilionários recordes, os banqueiros e o governo Lula promovem demissões em massa, reestruturações nos bancos públicos, terceirizações, fechamento de agências, assedio moral institucionalizado, falta de isonomia de tratamento, arrocho salarial, aumento das tarifas para a população, privatizações etc.
Também, não por acaso, uma das principais deliberações desta Conferência foi o apoio à candidatura de Lula, como forma de dar continuidade ao governo da Frente Ampla, onde os dirigentes sindicais estabelecem diretamente a ponte do interesse do Estado voltado a atender as demandas da classe dominante contra os trabalhadores, transformando-se em verdadeiros ministros sindicais do governo dos banqueiros. Querem que os trabalhadores percam sua independência política e abracem a colaboração de classes. Ocorre que o Lulopetismo e o Bolsonarismo são apenas duas faces políticas distintas da mesma moeda do capital financeiro que governa o mundo. São essencialmente apologistas dos mesmos valores da ordem burguesa e de suas instituições apodrecidas, como a defesa da política neoliberal de juros altos, meta fiscal, arrocho e privatizações, além de estarem até o pescoço atolados na corrupção do Banco Master/Vorcaro e, por isso mesmo se retroalimentam em campos parlamentares opostos, essenciais para a sobrevivência material um do outro.
É claro que os trabalhadores devem se posicionar nas eleições, mas não às custas de se rifar nossas reivindicações e direitos. Para nós do Movimento de Oposição Bancária (MOB) o único voto consciente da classe trabalhadora no curso de sua independência política deve ser a defesa do Voto Nulo, o Boicote Ativo ou mesmo a Abstenção Massiva como forma de denúncia da farsa eleitoral em curso! Nem voto crítico, nem voto útil na “esquerda neoliberal” comandada pelo PT! Derrotar o Lulopetismo, o Bolsonarismo e a direita nas ruas e nas lutas!
Outro aspecto importante para o sucesso da manobra da Contraf-CUT/CTB é a exigência do acordo bianual que a camarilha burocrática governista vai empurrar goela abaixo da categoria: um presente para os banqueiros, descanso/férias para uma ultrajada direção parasitária e recorrentemente traidora e um ambiente de “tranquilidade”, sem demandas sindicais, para o governo dos banqueiros de Lula, subserviente ao capital financeiro e ao imperialismo.
No entanto, a garantia de sucesso dessa operação-desmonte também tem sido as assembleias virtuais, divididas por banco, onde a burocracia avança na sua tática de subtrair da base qualquer interferência nos rumos da luta, golpeando a democracia operária e conferindo à campanha salarial um caráter formal e artificial, descolada de um plano real de construção da greve nacional dos bancários. Por exemplo, mal aprovaram a pauta miserável dia 21/06 e, dia seguinte, 22/06, nacionalmente já convocaram assembleias virtuais para aprovar, sem qualquer discussão prévia presencial na base, essa pauta rebaixada junto com a farsa da mesa “única” da Fenaban, que reúne o conjunto dos bancos privados. No entanto, nesta mesa de negociação os bancos públicos, cujo patrão é o presidente Lula, são meros fantoches, subordinados aos bancos privados que são quem de fato definem tudo na mesa de negociação.
Desse modo, esses pelegos justificam sua própria paralisia e covardia política frente a ofensiva patronal, defendendo não uma política de enfrentamento com um plano de lutas unificado por reposição de perdas inflacionárias reais, estatização sob controle dos trabalhadores, isonomia salarial etc., mas simplesmente uma surrada política de abonos e índices irrisórios, com métodos burocráticos empregados para atomizar a luta: divisão da categoria, assembleias fragmentadas por banco, ausência de um comando único de base, etc. Como se vê, as direções sindicais tratam apenas de negociar alguma esmola para novamente etiquetá-la como conquista depois.
O Movimento de Oposição Bancária (MOB) é consciente da imensa tarefa de superar essa camarilha domesticada ao capital e de que remar contra a poderosa maré do oportunismo requer uma titânica unidade dos ativistas classistas para atropelar a burocracia rendida aos banqueiros, e assim, retomarmos as rédeas de nossa luta, adotando os métodos históricos de luta unitária da classe, com unificação com outras categorias em luta, assembleias Inter-categorias, com piquetes radicalizados, paralisações em setores estratégicos, construção da mesa única dos bancos públicos para obrigar o governo a negociar e não se esconder atrás da Fenaban, etc.
No final das contas, apesar das particularidades de cada banco, o que realmente unifica a categoria são os salários e as conquistas sociais, além obviamente de seus interesses históricos, como a definitiva emancipação da classe trabalhadora perante a exploração capitalista. Para tanto, a direção política a ser construída deve ser forjada a partir de uma nítida delimitação classista, que tenha como principal divisor de águas total independência política dos inimigos de classe. Esta constitui-se a chave para a ruptura da blindagem burocrática e a consequente conversão em vitórias do potencial de luta dos bancários e trabalhadores.

MOVIMENTO DE OPOSIÇÃO BANCÁRIA
