ACORDO DO IRÃ COM OS EUA: CRESCE RESISTÊNCIA NACIONALISTA RADICALIZADA ÀS CONCESSÕES DO REGIME DOS AIATOLÁS A TRUMP! 

LBI

Neste domingo, 14/06, pode ser anunciado o acordo do Irã com os EUA. Entretanto a resistência nacionalista radicalizada interna às concessões do Regime dos Aiatolás a Trump tem aumentado bastante, principalmente com os ataques de Israel ao Líbano e aos próprios termos do “memorando de entendimento”. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que Teerã e a Casa Branca nunca estiveram tão próximos de concluir o documento. A declaração foi feita em uma publicação na rede X e reforçada em entrevista à televisão estatal iraniana, na qual o chanceler explicou os principais pontos da negociação: “O Memorando de Entendimento de Islamabad nunca esteve tão próximo”, declarou Araghchi.  

O debate político no Irã sobre as negociações com os Estados Unidos ganhou força hoje, em meio à disseminação de versões sobre o conteúdo de um possível memorando de entendimento entre os dois países. O deputado nacionalista Mahmoud Nabavian questionou os termos atribuídos ao potencial acordo e levantou dúvidas sobre a sua adequação aos interesses nacionais da República Islâmica. Em uma mensagem publicada nas redes sociais, o parlamentar indicou que o texto divulgado na mídia incluiria a abertura imediata e irrestrita do Estreito de Ormuz, sem custos associados, bem como uma redução no enriquecimento de urânio iraniano.

Nabavian acredita que ainda existem dúvidas sobre aspectos fundamentais, incluindo o eventual levantamento das sanções econômicas, a liberação de ativos iranianos congelados no exterior e o acesso a um fundo de financiamento estimado em US$ 300 bilhões. “Este texto serve aos interesses nacionais?”, perguntou o legislador.

Por sua vez, o porta-voz da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento, Ebrahim Rezaei, afirmou que a equipe de negociação iraniana fez concessões significativas durante o processo de diálogo com Washington.

De acordo com Rezaei, a atitude demonstrada na mesa de negociações pode ter alterado os cálculos de seus adversários e gerado a percepção de que o Irã se encontra em uma posição de fragilidade.

Vários cidadãos se reuniram na Praça Ibn Sina, no centro de Teerã, para expressar sua rejeição às negociações com os Estados Unidos e entoar slogans contra o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi.

Na última sexta-feira, Araqchi revelou que existe a possibilidade de assinar um memorando de entendimento com Washington por meio de um mecanismo de assinatura digital nos próximos dias, embora tenha evitado confirmar os detalhes do documento.

Como o BLOG da LBI denunciou anteriormente, o governo dos Estados Unidos e o Regime Nacionalista Burguês do Irã buscam um acordo para pôr fim ao conflito militar. Trump afirmou que ambos os lados negociaram uma proposta que inclui a abertura do Estreito de Ormuz. No entanto, esclareceu que os detalhes finais ainda estavam pendentes. Em maio, o New York Times reportou que os dois lados só abordarão o programa nuclear iraniano após a obtenção de um acordo inicial, significando uma tendência do imperialismo em colocar na mesa das negociações a renúncia definitiva do porte de armas atômicas pela nação persa.

Esta inflexão do Regime dos Aiatolás, que representa um retrocesso no combate militar anti-imperialista, é produto direto da pressão chinesa sobre o Irã, particularmente após o acordo selado recentemente em Pequim, entre Trump e Xi Jinping, no qual se estabeleceu o consenso de ambos governos para “congelar” o desenvolvimento do programa nuclear iraniano.

Entre outros elementos do rebaixado acordo de cessar-fogo, segundo a Casa Branca: “O Estreito de Ormuz será aberto. Os aspectos e detalhes finais do acordo estão sendo discutidos e serão anunciados em breve”, sem fornecer mais detalhes. De acordo com a agência de notícias iraniana Tasnim, o bloqueio naval deve ser completamente suspenso dentro de 30 dias, conforme um memorando de entendimento planejado entre o Irã e os Estados Unidos.

Os reacionários governos dos países do Oriente Médio, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Egito, Jordânia e Bahrein, bem como representantes da Turquia e do Paquistão, participaram da minuta apresentada por Trump para discutir o acordo. O Paquistão, que mediou as negociações presenciais entre as delegações dos EUA e do Irã em abril, espera sediar outra rodada de negociações “muito em breve”, disse o primeiro-ministro Shehbaz Sharif.

De acordo com o The New York Times, os detalhes do “aparente compromisso” de Teerã em renunciar ao seu estoque de urânio serão discutidos após a assinatura do acordo inicial.

A proposta atual não define exatamente como Teerã abriria mão de seu estoque de urânio. O Irã enfatizou que ainda persiste uma divergência entre as partes sobre essa questão. O que se sabe nos bastidores das negociações é que a burocracia chinesa está diretamente envolvida na “tarefa” de dissuadir o regime nacionalista persa em possuir artefatos atômicos.

O Porta-Voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, observou “Uma tendência de reaproximação com Washington”, mas complementou que “Isso não significa necessariamente que nós e os Estados Unidos chegaremos a um acordo sobre as principais questões”. O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou que Washington enfrentaria uma dura resposta caso retomasse as hostilidades.

Na frente de batalha libanesa, o Hezbollah já manifestou preocupação com um possível “acordo ruim” entre os EUA e o Irã, informando que o enclave sionista de Israel continua atacando o sul do Líbano, onde os combates continuaram acirrados apesar do midiático “cessar-fogo”. Os Marxistas Leninistas alertam para o risco no curso do fechamento de um “acordo rebaixado” em um franco retrocesso no apoio político e militar ao Eixo da Resistência.