DERROTAR O CERCO IMPERIALISTA DE TRUMP CONTRA CUBA!: NÃO A RESTAURAÇÃO CAPITALISTA IMPOSTA PELA BUROCRACIA CASTRISTA! PELA REVOLUÇÃO POLÍTICA PARA DEFENDER O ESTADO OPERÁRIO E SUAS CONQUISTAS SOCIAIS!

INTERNACIONAL LBI

Em meio à crise econômica e social que se abateu sobre Cuba nos últimos dias, provocando protestos populares nas ruas de Havana e nas principais cidades do país, instalou-se na vanguarda um debate de quais as tarefas colocadas para os internacionalistas proletários a fim de defender a chamada “Ilha Socialista”. Em primeiro lugar, como Trotskystas, caracterizamos Cuba como um Estado Operário Deformado que ao longo das últimas décadas (particularmente com o fim da URSS) deixou de ser um “perigo” para os EUA, devido a política da Burocracia Castrista de “coexistência pacífica” com o imperialismo ianque e a Social Democracia europeia. Não por acaso Miguel Diaz Canel não se cansa de reafirmar que Cuba não é inimiga dos EUA e deseja estabelecer um “acordo soberano” com Trump, não sendo mais um regime “comunista” que ameace o imperialismo ianque, acenando que pode fazer ainda mais concessões políticas e econômicas às exigências da Casa Branca para preservar como casta burocrática dirigente. Nesse marco e em meio as manifestações diárias contra os apagões elétricos, a falta de comida, transporte e petróleo devido ao cerco imperialista está colocada na ordem do dia a luta pela revolução política em Cuba!

Os Marxistas Leninistas reconhecem o caráter Operário do Estado cubano deformado desde a sua gênese. Seguindo o arsenal teórico deixado pelo revolucionário Leon Trotsky (A Revolução Traída), continuaram o combate em defesa das conquistas históricas da revolução socialista, ocorrida na Ilha há mais de 65 anos atrás. Neste combate não reconhecemos como uma “alternativa progressista” as reformas de mercado introduzidas pela burocracia castrista, com o objetivo da restauração capitalista similar a “via chinesa”.

Lutaremos em frente única com o Partido Comunista Cubano contra o imperialismo ianque e suas manobras econômicas e militares, porém no mesmo sentido revolucionário não apoiaremos qualquer passo do Castrismo em direção ao retorno de Cuba a um suposto “capitalismo democrático”, ao contrário, o combateremos a burocracia como agora!

Desmascaramos a falsa “idolatria” que os “amigos de Cuba” de ocasião, como os neostalinistas do PCdoB e PCB, fazem do regime Castrista, identificando-o como a expressão política sã do genuíno Socialismo, fechando os olhos para o processo de avançada burocratização do Estado operário deformado.

Em resposta ao regozijo do grande capital, as aspirações pró-capitalistas crescentes da burocracia castrista e do sorriso cínico das hienas revisionistas (PSTU, CST e afins…) que torcem pela derrubada contrarrevolucionária do regime stalinista e junto com ele as conquistas da revolução, levantamos a necessidade urgente da construção do partido trotskista defensista e conspirativo em Cuba, como instrumento capaz de deter de forma consequente o retrocesso ao capitalismo.

O Blog da LBI vinha alertando que a pandemia orquestrada pela Governança Global do Capital Financeiro teve como um dos alvos Cuba, uma operação de guerra híbrida que tragicamente pegou o PCC totalmente desarmado politicamente porque a burocracia castrista aceitou passivamente as regras do terror sanitário impostas pela OMS (financiada pela Fundação Gattes), sem questionar essa operação amparada pela Big Pharma em parceria com os grandes rentistas para impor uma Nova Ordem Mundial, que obviamente teve como uma das metas a liquidação do Estado operário cubano e a debilitamento de sua atividade econômica.

Por sua vez polemizamos com o PCO que afirma “Apesar de todos os obstáculos e problemas, Cuba parece não abrir mão da tarefa de espalhar a revolução internacionalmente”. A frase que acabamos de reproduzir, por mais incrível que pareça, saiu da boca de Rui Costa Pimenta, o “guru” do PCO. Este camaleão político ainda tem a cara-de-pau de se dizer Trotskysta enquanto faz rasgados elogios ao Governo Castrista, cujo regime burocrático parasitário stalinista está operando a restauração capitalista no Estado Operário Cubano deformado com medidas que cada vez mais fragilizam a economia estatizada ao mesmo tempo em que busca desesperadamente a manutenção do acordo de “coexistência pacífica” com a Casa Branca.

Esta é a prova mais evidente que o PCO abandonou formalmente o Trotskysmo, agora também no terreno das posições internacionais. Pelo que escreve Pimenta, o Castrismo seria uma força política revolucionária que personificaria “na prática” as posições da própria IV Internacional em defesa da Revolução Permanente em escala mundial e não como é sabido um defensor aberto das teses stalinistas, apregoando a farsa da vitória do “socialismo em um só país” (no caso em uma Ilha!) inclusive aconselhando outros países que se levantaram no passado em processos revolucionários contra o imperialismo, como a Nicarágua de Daniel Ortega, a “Não ser uma nova Cuba” e, mais recentemente, nas relações que o Castrismo estabeleceu com Hugo Chávez e depois com Maduro na Venezuela, apoiando sua política nacionalista-burguesa de não-ruptura com o modo de produção capitalista!

Não por acaso, o PCO não abriu a boca para fazer a denúncia da integração da burocracia castrista a Nova Ordem Mundial Capitalista via uma política de adaptação aos ditames da Governança Global do Capital Financeiro, como foi no caso da falsa pandemia da Covid-19, quando Raul e Miguel Canel tomaram a decisão vergonhosa de não realizar o ato de 1º de Maio nas ruas de Havana em 2020 e 2021 alegando a necessidade do “isolamento social” recomendado arbitrariamente pela OMS controlada pelo Big Pharma, uma política suicida que debilitou tremendamente Cuba, levando a Ilha ao seu atual esgotamento econômico.

A burocracia castrista instalada na cabeça do Estado operário cubano optou por um caminho de sucessivas concessões políticas ao imperialismo ianque, ainda que mantendo as principais bases da economia socializada. Com a eleição da ala “democrata” do império em 1992 (Clinton), o próprio Fidel Castro alimentou enormes expectativas na melhoria do relacionamento político com os ianques, o que resultou em um retumbante fracasso, levando inclusive ao relaxamento de normas de segurança que facilitaram a prisão de militantes dos serviços de inteligência cubana em Miami, como atesta o recente livro do escritor “progressista” Fernando Morais (Os últimos soldados da Guerra Fria).

Alimentando ilusões no governo do Partido Democrata de Bill Clinton, em 1998 Fidel Castro pediu que Gabriel Garcia Marquez se encontrasse com o presidente ianque para entregar-lhe um dossiê organizado pelo serviço de inteligência cubana que atuava secretamente nos EUA em que denunciava a ação de terroristas na Flórida. Longe de combater os agentes da reação interna, Clinton ordenou que a CIA e o FBI montassem uma operação de “guerra” contra Cuba, resultando na prisão dos chamados “5 Heróis cubanos”.

Com a posse de Obama, o “fenômeno” da empatia dos stalinistas cubanos com os carrascos “democratas” se repetiu. Nunca é demais lembrar que Cuba chegou a demonstrar inicialmente simpatia com os “rebeldes” monárquicos da Líbia. Somente quando se delineou a intervenção militar da OTAN, Fidel percebeu que o “conto” da tal “revolução árabe” estava voltado a dar uma cobertura “humanitária” a mais uma invasão ianque, e o que é pior, o próximo alvo “democrático” do imperialismo poderia ser a própria Cuba!

Os “ziguezagues” do castrismo diante da ofensiva mundial do imperialismo ianque colocam em risco a defesa das conquistas históricas da revolução cubana, que mesmo debilitadas por um bloqueio criminoso, permanecem socialmente vigentes para o proletariado da ilha operária. O movimento mais recente se repetiu com a aproximação entre os EUA e Cuba pelas mãos de Obama e a tentativa de reaproximação com Biden, que apesar dos “esforços” de Havana, manteve a “linha dura” de Trump que agora volta com toda força encabeçada pelo Secretário Marco Rubio.

Podemos fazer essa delimitação pública com o Castrimo porque a LBI sempre defendeu incondicionalmente o Estado Operário Cubano contra o imperialismo, inclusive sendo acusada de “stalinofilia”.

Como nos ensinou Trotsky no Programa de Transição da IV Internacional uma coisa é postar-se na defesa incondicional das conquistas da revolução e do Estado Operário burocratizado contra o imperialismo interna e externamente lutando nesta trincheira pela revolução política para construir uma autêntica direção revolucionária. Outra coisa, como nos legou nosso chefe Bolchevique, é estabelecer uma relação de “parceria” com o Regime Castrista como proclama vergonhosamente os “amigos de Cuba” (PCdoB e PCB) ou mesmo o  PCO, não denunciando que o PC cubano vêm não só tomando medidas econômicas internas que levam a restauração capitalista na Ilha, como também historicamente tem atuado para sabotar novas revoluções em outros países, como ocorreu na Nicarágua ou mesmo no abandono de Che Guevara no completo isolamento político e material, o que  levou inclusive a sua morte trágica na Bolívia, quando estava de fato rompido com Fidel Castro justamente por questionar a linha de submissão de Cuba a URSS burocratizada em defesa da “coexistência pacífica” com o imperialismo ianque.

Para os Marxistas Leninistas Cuba nunca foi após janeiro de 1959 ou é atualmente um “Estado Socialista”. Para a Teoria Marxista há uma grande diferença conceitual entre “revolução social” e “revolução socialista”, uma questão que ultrapassa a gramática. Em 1959 na ilha de Cuba, a revolução foi encabeçada por uma organização política que não era comunista e nem sequer socialista, o Movimento 26 de julho era originalmente um agrupamento de jovens guerrilheiros que lutavam para derrubar uma ditadura corrupta e decadente e instaurar um regime democrático burguês. Entretanto a lógica de ferro da luta de classes imprimiu uma outra dinâmica que aqueles jovens combatentes do Movimento 26 de Julho não poderiam imaginar. A violenta queda de Fulgêncio Batista na festa de réveillon naquela histórica entrada do ano de 1959, deu lugar a um novo governo liderado por Fidel Castro e que contava com um amplo arco de forças políticas, a exceção do Partido Comunista de Cuba, fiel ao ditador Batista até o último minuto. Fidel e seus camaradas como Che, Raul, Camilo Cienfuegos etc, esperavam contar no primeiro momento com um apoio considerável do governo dos EUA, porém então o presidente Eisenhower tratou de frustrar rapidamente estas expectativas.

A política econômica do governo castrista (especialmente a nacionalização de empresas estrangeiras) deixou tão alarmados os Estados Unidos que forçou o imperialismo ianque a romper relações diplomáticas com o país. Cuba, então, estabelece relações abertas com a União Soviética e só aí inicia o processo da “revolução social”, ou seja, expropriações e planificação central de sua economia. Fidel Castro resgata o banido Partido Comunista e promove a integração do Movimento 26 de Julho a nova organização reabilitada.

Cuba, ao contrário da velha Rússia, não atravessou uma revolução pelas mãos de um partido comunista ou mesmo anticapitalista, sua revolução nunca foi conscientemente socialista (dirigida por um partido revolucionário) e sim social, já que socializou os meios de produção findando assim com o “Deus Mercado” na Ilha caribenha e inaugurando a era do primeiro Estado Operário da América Latina. 

Por sua vez o Governo Castrista não é uma direção política socialista que defende a revolução proletária mundial. Ao contrário, o Castrismo vem historicamente sabotando revoluções em outros país e levando a ilha no caminho da restauração capitalista.

Apesar da LBI defender incondicionalmente da ilha operária e de suas conquistas históricas rechaçando a ofensiva imperialista através do bloqueio econômico e da política de “reação democrática” levada acabo pela Casa Branca apoiada pelos revisionistas do Trotskysmo (PSTU, CST e afins…) nunca deixamos de polemizamos com a orientação programática adotada pela burocracia castrista que ataca uma série de direitos históricos dos trabalhadores com o objetivo de avançar o processo de restauração capitalista.

A LBI mantém a vigência programática da defesa da Revolução Política em Cuba como nos ensinou Trotsky para que o proletariado e sua vanguarda consciente possa efetivamente ingressar na etapa histórica do genuíno socialismo.  

A melhor forma de responder as investidas do imperialismo ianque que se incrementaram com Trump é chamando a classe operária em nível mundial e cubana a derrotar o imperialismo ianque e não apoiando a política de “coexistência pacífica” com a Casa Branca e a Igreja Católica como faz o governo castrista.

Sabemos perfeitamente que Cuba atravessa um momento extremamente difícil em sua existência. Desde a queda da URSS e do Muro de Berlim, quando a restauração capitalista varreu o Leste Europeu e a União Soviética, em uma profunda derrota do proletariado mundial, a economia cubana perdeu grande parte dos seus parceiros comerciais impondo-se ainda mais a ilha operária o isolamento político e econômico. Com o sequestro de Maduro na Venezuela essa realidade se aprofundou.

Foram tomadas várias medidas de mercado para tentar revitalizar sua economia. Não nos opomos por princípio à adoção dessas medidas, pois até Lenin e o Partido Bolchevique as tomaram na URSS por meio da NEP. Porém compreendemos que a melhor forma de defender as conquistas da revolução neste momento difícil é reforçando o chamado a derrotar o imperialismo em nível mundial e não a estabelecer com a Casa Branca e a Igreja Católica uma política de “coexistência pacífica” com faz o PC cubano.

O legado teórico de Trotsky renegado por Rui Pimenta nos ensinou que era preciso defender incondicionalmente a URSS, apesar dos erros e traições de Stalin sem nunca deixar de denunciá-los abertamente. Hoje, com Cuba fazemos o mesmo. Ainda que tenhamos críticas à direção do PCC, jamais nos somamos ao imperialismo e sua corja arquirreacionária nos ataques ao Estado operário. Pelo contrário! Sempre estivemos na linha de frente da sua defesa, não apenas como “amigos de Cuba” como os stalinistas do PCML, PCB e PCdoB, mas acima de tudo como internacionalistas proletários e defensores do socialismo científico como alternativa à barbárie capitalista que ameaça a existência da própria humanidade.

Acreditamos que somente a mobilização internacionalista da classe operária poderá fazer frente aos planos do império para aniquilar totalmente a enorme referência mundial da revolução cubana. Por isso não devemos depositar nenhuma confiança nos “acordos” amistosos com os chefes “democratas” dos estados terroristas como os EUA e a França como Fidel fez com Obama e Canel tentou com Biden e faz novamente agora com Trump.

Como Trotskyistas não podemos rejeitar possíveis manobras diplomáticas de um Estado Operário no contexto de um mundo hegemonizado pelo capital financeiro, reconhecemos o direito de Cuba exigir o fim do criminoso bloqueio comercial, porém não somos “ingênuos” ao ponto de desconsiderar os objetivos estratégicos do imperialismo ianque. Como nos ensinou Lenin que pessoalmente em sua época celebrou vários acordos comerciais com o imperialismo europeu, é necessário aproveitar as fissuras da crise imperialista sem “baixar a guarda” de uma política que convoque permanentemente a mobilização do proletariado mundial contra a atual ofensiva neoliberal contra os povos. Nesta perspectiva revolucionária não podemos confiar na burocracia Castrista, que busca conservar o atual regime estatal cada vez mais sob as bases de concessões econômicas e políticas.

Frente a esta disjuntiva histórica, está colocado a construção do genuíno Partido Operário Revolucionário na Ilha com o objetivo de avançar nas conquistas sociais e do chamado a expropriação da burguesia mundial, se opondo a política de colaboração de classes das direções reformistas na arena nacional (como Lula), rompendo desta forma o isolamento de Cuba por meio da vitória da revolução proletária em outros recantos do planeta!

Justamente por defendermos incondicionalmente Cuba e as conquistas históricas da revolução, apontamos que para garantir a manutenção do Estado Operário os trabalhadores cubanos devem lutar pela imediata expulsão dos agentes da CIA, combater a nefasta influência ideológica da Igreja Católica e derrotar todas as organizações anticomunistas camufladas de democráticas. Ao mesmo tempo, como aponta o Programa de Transição elaborado por Trotsky em 1938, não defendemos a volta à democracia burguesa e a legalização de todos os partidos de uma maneira geral em Cuba, mas a revolução política para que os conselhos populares decidam verdadeiramente como melhor levar a luta contra os privilégios, a desigualdade social e o reforço da economia planificada segundo os interesses dos próprios trabalhadores. Lutamos decididamente contra a destruição do Estado Operário cubano, já que isso representaria uma enorme derrota para o proletariado latino-americano e mundial, abrindo um período sem precedentes de avanço imperialista mas sem capitular a burocracia castrista!