“NOVA DEMOCRACIA” APONTA O CAMINHO DA COLABORAÇÃO DE CLASSES PARA VENEZUELA: JOVENS MAOÍSTAS PARECEM “VACILAR” DIANTE DA PRESSÃO SOCIAL DEMOCRATA…

LBI

O Editorial do portal Maoísta “Nova Democracia” (ND) intitulado “Só há um único caminho para a soberania da Venezuela e seu povo” (01/02/2026) é um ponto de inflexão “à direta” na linha política desse agrupamento no que tange a questão venezuelana. Segundo o texto “Diante da complexa situação venezuelana, a tarefa imediata de todos e todas internacionalistas é de denúncia contundente da agressão imperialista, aumentar seu combate a ele, principalmente o imperialismo ianque, dando total apoio ao governo interino”. Ao apontar o caminho da colaboração de classes para a Venezuela, os jovens Maoístas que formalmente dirigem ND parecem “vacilar” diante da pressão socialdemocrata cujo arco reformista (PT, PCdoB, PSOL, PCB, PCBR, PCO e afins…) saiu em defesa da gestão burguesa neoliberal de Delcy Rodríguez submissa ao imperialismo ianque após o sequestro de Maduro. Pelo visto, o Diretor-Geral e Editor-Chefe do jornal A Nova Democracia, Victor C. Bellizia, encontra-se em “crise de identidade” entre o velho Maoísmo e a Social Democracia, por isso o agrupamento que dirige está deixando de lado suas posições históricas, como denunciar a burocracia castrista em Cuba e regimes nacionalistas burgueses como o Chavismo enveredando pelo caminho dos revisionistas do Marxismo. Para os “novatos” da Nova Democracia, somente o PCCh é revisionista, mas pelo “andar da carruagem” não sabemos até quando…

O próprio título do Editorial e o texto em questão é um ziguezague oportunista cheio de idas e vindas próprio de uma crise de identidade ao afirma que “É imperativo constatar que a Venezuela enfrenta esta complexa situação, já há quase um mês, numa posição paradoxal. Ao mesmo tempo, resistente na manutenção do regime bolivariano apoiado pela maioria do seu povo, e mesclada com uma atitude de colaboração ativa com as imposições ianques nos planos econômicos e mesmo em determinadas questões políticas”. O que essas linhas erráticas não dizem é que as novas medidas anunciadas por Delcy Rodríguez são parte de um amplo processo de submissão política, econômica e comercial do país as ordens do imperialismo ianque, com ela começando a operar a transição de um regime nacionalista burguês para um de caráter neoliberal e pró-imperialista na Venezuela.

Delcy Rodríguez vem libertando os presos contrarrevolucionários na Venezuela, recebendo os chefes da CIA e diplomatas dos EUA no país e submetendo a economia venezuelana as ordens da Casa Branca, como vimos no caso da aprovação da nova lei neoliberal de Hidrocarbonetos que abre as portas para a exploração o petróleo pelas transacionais diretamente sem a participação sequer da PDVSA. O texto inclui a implementação dos chamados Contratos de Participação Produtiva (CPP), nos quais empresas estatais e suas subsidiárias podem firmar acordos para o desenvolvimento de atividades primárias (exploração, extração, coleta, transporte, armazenamento, processamento, beneficiamento, refino, industrialização e comercialização) com empresas privadas do país, que assumem a gestão integral da operação. Por fim, Delcy aceitou a imposição de Trump de um acordo comercial de exclusividade da venda do óleo cru da Venezuela apenas para as corporações imperialistas ianques.

O mais tragicômico é que dias antes do Editorial o próprio portal da ND noticiava “Trump se coloca como ‘presidente interino’ da Venezuela na Internet; enquanto isso, governo de Delcy liberta presos pró-ianques” (12/01/2026), ou seja, reconhece que Delcy Rodríguez atua completamente submissa a Trump e o Pentágono, quando era tarefa romper as relações políticas e comerciais com os EUA! Apesar dessa óbvia constatação, o Editorial aponta no sentido oposto, justificando as ações de Delcy Rodríguez: “É claro que compromissos, em certas condições, são necessários e devem ser feitos, desde que sejam relativos, transitórios e subordinados à estratégia da libertação nacional para servi-la com preparação efetiva de condições em que se possa enfrentar o inimigo por etapas estratégicas bem determinadas, desde a de defensiva, passando pela de equilíbrio de forças com o inimigo, até alcançar a passagem à ofensiva total”. Os Maoístas tupiniquins recorrem ao surrado e argumento oportunista da “correlação de forças” tão utilizado pelo PT e a Social-Democracia para operar a conciliação de classes!

O que está ocorrendo na Venezuela é que Delcy Rodríguez se move claramente no sentido do desmonte do regime nacionalista burguês que embora possa conservar seu título Bolivariano e também seu staff dirigente já não corresponde ao que os Marxistas caracterizam como “nacionalismo”. O artigo de ND “Com presidente Maduro sequestrado, sucessora sugere ‘trabalhar em cooperação’ com EUA ‘com base na soberania’” (05/01/2026) chega mesmo a “noticiar” esse processo de embuste, mas não tira as conclusões políticas necessárias do ponto político e teórico baseadas do Marxismo Leninismo!

No caminho inverso do que vem ocorrendo na realidade da luta de classes, com Delcy sendo colaboradora vassala de Trump no campo econômico, político e militar, ND patrocina ilusões que ela dê um “giro à esquerda” usando a linguagem de setores do PT que “cobram” de Lula uma postura mais “combativa”, obviamente com Victor C. Bellizia recorrendo ao vocabulário Maoísta para melhor embalar sua linha conciliatória. O Editorial afirma “O dever do atual governo interino para com a nação e o povo venezuelanos é defender a pátria, a soberania e a autodeterminação, e terá o apoio maior ainda do que o apoio que tem tido da maioria da sua população e dos povos e países oprimidos do mundo que combatem o imperialismo, porque comoverá e atrairá outros mais para a luta anti-imperialista, também nos próprios países imperialistas. Só assim progredirá a causa nacional patriótica, contanto que eleve sua confiança nas massas populares, se empenhe na sua mobilização permanente, impulsionando organização militar das massas e se apoiando nelas para uma guerra prolongada, única via para sustentar no terreno as posições de defesa ativa da soberania nacional e na realização das principais reivindicações populares.”.

Essa “fórmula” de colaboração de classes com um governo burguês que trai e sabota a luta anti-imperialista abertamente (como o de Delcy) reside na própria estratégia política do Maoísmo, herdada do “arsenal” da velha teoria stalinista da revolução por etapas, ou seja, primeiro estabelecer uma unidade com a “burguesia nacional” em nome da “revolução democrática” e depois, muito mais tarde, com o amadurecimento do capitalismo nativo, impulsionar a revolução socialista. A “diferença” entre a teoria clássica estalinista e o Maoísmo consiste que este acredita que esta “transição” por etapas deve ser sustentada por uma organização armada que rejeite a via das eleições, como se a tática militar fosse o antídoto para evitar o velho reformismo estalinista.

Desgraçamente os jovens Maoístas da Nova Democracia estão cada vez mais se afastando do Marxismo e se aproximando da Social Democracia! Ao contrário dessa senda revisionista apontamos que as mais elementares tarefas democráticas pendentes (unidade nacional, abolição do latifúndio, liquidação do sistema monárquico) não podem vir pelas mãos de uma aliança dos comunistas com a autodenominada “burguesia progressista” e sim pela revolução proletária em ruptura com a ordem burguesa.

De pouco adianta se fantasiarem de consequentes defensores do Marxismo nas páginas da ND e denunciar o arco reformista como revisionista ou oportunista, se na arena viva da luta de classes os jovens Maoístas parecem “vacilar” diante da pressão Social Democrata como vimos claramente na questão venezuelana…