O ministro das Relações Exteriores da Síria, Asaad Al Shaibani, e o ministro israelense de Assuntos Estratégicos, Ron Dermer, se reuniram para expulsar o Hezbollah, as forças iranianas ou qualquer movimento hostil a Israel do sul da Síria. A proposta em discussão limitaria a zona de fronteira às forças de segurança sírias sem armas pesadas, cujo papel se limitaria a manter a ordem. Israel já havia exigido uma desmilitarização completa do sul da Síria.
Um dos tópicos de discussão foi a criação de uma “passagem humanitária” entre a Síria e Israel para permitir que ajuda internacional chegue aos drusos em Suaida. A reunião se concentrou em sua implementação sob a supervisão dos EUA. No mês passado, Israel interveio em confrontos violentos entre forças ligadas ao governo sírio e facções armadas drusas na província de Suaida, no sul, realizando ataques intensivos contra tropas e instalações de Damasco.
Tel Aviv enquadrou os ataques como um esforço para proteger a minoria drusa na Síria. As negociações entre Israel e a Síria, que estavam em andamento antes dos confrontos de julho, foram retomadas rapidamente após os ataques israelenses ao país. Enquanto Shaibani se encontrava com Dermer, o enviado dos EUA, Tom Barrack, manteve conversas paralelas em Paris com Muwaffaq Tarif, líder espiritual dos drusos israelenses, durante as quais a travessia de Suaida foi discutida.
O plano testa a servilidade do novo governo sírio em relação a Israel. A “travessia humanitária” gerou especulações sobre se o verdadeiro objetivo de Israel é estabelecer o Corredor de David . A ideia está enraizada na visão expansionista de Tel Aviv do “Grande Israel” e ligaria o norte da Síria, controlado por lacaios curdos apoiados pelos Estados Unidos e Israel, por meio de uma rota terrestre contínua que inclui o Iraque.
À medida que Israel expande sua ocupação do sul da Síria, também continua ocupando o sul do Líbano e lança ataques aéreos diários contra o país, violando o acordo de cessar-fogo do ano passado. Forças a serviço do novo governo de Damasco interceptam carregamentos de armas destinados à resistência libanesa.
O novo governo sírio está trabalhando duro para mostrar que não representa nenhuma ameaça a Israel, e as forças de segurança sírias vêm reprimindo há muito tempo as facções de resistência palestinas baseadas na Síria, em linha com as exigências dos EUA. No início de julho, a impresna israelense disse que qualquer acordo sírio-israelense provavelmente envolveria compartilhamento de inteligência e cooperação contra o Irã e o Hezbollah.
Não esqueçamos a recente declaração do presidente terrorista sírio, Ahmed al-Sharaa (ex-Jolani), expressando a disposição de seu governo golpista em normalizar as relações com o enclave sionista de Israel e aderir aos “Acordos de Abraão“, marca uma mudança histórica na política externa da Síria, que antes da suposta “revolução” se colocava frontalmente contra o expansionismo judeu. Esta “mão estendida” para o genocida Netanyahu, surge em meio à crescente pressão econômica e diplomática sobre Damasco, e faz parte de um esforço mais amplo do novo governo para uma aproximação efetiva com o imperialismo. A proposta do presidente Ahmed busca institucionalizar a ocupação de longa data de Israel nas Colinas de Golã, um território sírio que Israel ocupa ilegalmente com suas tropas desde 1981.
No entanto, essa inflexão entreguista de Damasco em direção à normalização com o gendarme sionista não está isento de grande resistência das massas árabes que sabem das graves consequências que esta medida pode ter sobre a soberania da nação síria. Durante décadas, a restituição das Colinas de Golã tem sido uma das demandas mais inabaláveis da política externa da Síria, sob a liderança do regime nacionalista de Bashar al-Assad.
Al-Jolani, que já foi dirigente da Al-Qaeda (Daesh), liderou os terroristas do Hayat Tahrir al-Sham (HTS) em seus esforços para derrubar o governo do Bashar al-Assad no ano passado, contando para esta “tarefa” com o apoio logístico dos governos da Turquia e Israel. Em troca da “gentileza” sionista o HTS se comprometeu a combater o “corredor sírio” do Eixo da Resistência, debilitando fundamentalmente o abastecimento de armas ao Hezbollah, mas também ao Hamas. Paralelamente aos acordos com Tel Aviv, o governo do HTS tem se envolvido em flagrantes violações de direitos humanos na Síria, particularmente contra minorias, especialmente a minoria alauíta, base social do antigo regime nacionalista.
Desgraçadamente os grupos da esquerda revisionista, herdeiros da tradição programática do morenismo, proclamaram a derrubada de Assad como sendo um “grande triunfo revolucionário”, e concedendo apoio político “crítico” ao presidente terrorista Al-Jolani. Os vermes da LIT/PSTU/CS afirmaram cretinamente que o novo governo do HTS iria apoiar a Resistência Palestina, quando já estava absolutamente cristalino que se tratava de mais um apêndice (nem sequer disfarçado) militar do sionismo na região.
Seja qual for o cenário político que se imponha na guerra civil do país, os Marxistas Leninistas reafirmam seu apoio político e militar a Resistência Armada do Hezbollah, que heroicamente combate tanto os genocidas sionistas, como as falanges terroristas e fundamentalistas que se agrupam em torno de Al-Golani.