O bordão “O Irã não é a Venezuela!” popularizou-se mundialmente para explicar porque Trump não conseguiu até agora derrotar o Regime dos Aiatolás ao contrário do que ocorreu na Venezuela em 03 de janeiro quando a CIA obteve pleno “êxito” na operação de sequestrar o presidente Nicolás Maduro em poucas horas. A diferença de cenários é brutal e tem deixado importantes lições políticas e programáticas que tratamos de abordar nesse analítico artigo no Blog da LBI em polêmica com a “Exquerda Briciana”! Ficou evidente que o sucesso de Trump na Venezuela se deveu fundamentalmente a uma “arma secreta” que não pode ser utilizada no Irã: a capitulação política e militar da atual cúpula do Regime Chavista ao imperialismo ianque!
A heroica resistência do Irã e de seus aliados do Hezbollah no Líbano, Iraque e do Ansarallah no Iêmen, impondo pesadas baixas as tropas ianque-sionistas, destruindo bases militares na região e fechando o Estreito de Ormuz, demostrou que o caminho de enfrentar o imperialismo ianque é possível e necessário desde que a direção política da nação oprimida esteja disposta a fazê-lo.
No Irã o Regime nacionalista burguês dos Aiatolás até o momento está na senda do combate militar ao Pentágono e ao enclave terrorista de Israel. Por seu caráter de classe burguês e pelas condições militares desfavoráveis de combate (sem apoio efetivo da Rússia e China) pode ser forçado a capitular ao final da guerra, mas não é essa a atual dinâmica em curso. Por essa razão os Marxistas Revolucionários estão em frente única de ação anti-imperialista com o Regime dos Aiatolás, na mesma trincheira de luta!
Trotsky defendia vigorosamente, marchar criticamente com essa mesma burguesia nacional impotente até o último momento, em suas fricções com o imperialismo, no sentido de mostrar ao proletariado que esta classe dominante sempre capitula no momento final da luta.

Na Venezuela ocorreu desgraçadamente o oposto do atual enfrentamento no Irã! Os dirigentes do Regime Chavista (tendo a cabeça Delcy Rodríguez e seu irmão Jorge) traíram seu povo subordinando o staff estatal burguês as ordens de Trump. O comando da guarda presidencial de Maduro chegou mesmo a facilitar seu sequestro! O General Marcano Tábata, chefe da Guarda de Honra Presidencial e diretor da DGCIM (Contra-Espionagem Militar) foi um dos apontados pela “entrega” de Maduro para as tropas imperialistas (“Força Delta”). Pelos informes que colhemos o General Marcano Tábata permitiu o sequestro do presidente, na verdade a entrega de Maduro sem resistência armada (pelo visto a exceção dos 32 cubanos e alguns membros venezuelanos da guarda pessoal). O general traidor foi diretamente ligado ao sequestro por ter desativado os protocolos de defesa aérea (radares) em Forte Tiuna durante a madrugada de 03 de Janeiro, o que era sua responsabilidade confirmando plenamente o que o Blog da LBI denunciou desde o início sobre a inação militar das defesas e dos radares Venezuelanos. Ele também não deu ordens expressas para derrubar os helicópteros ianques com as bazucas manuais e baterias antiaéreas mecânicas que podem abater essas aeronaves pelo campo de visão humano. Ao contrário dessa ordem fundamental de defesa, ele e seu séquito vendido trataram de entregar Maduro e não deram ordem de deter os agressores.
O “ataque cibernético” que supostamente “cegou” os radares e baterias antiaéreas venezuelanas ou mesmo a “arma hipersônica” que teria paralisado os militares bolivarianos (narizes sangrando, fortes tonturas, ouvidos doendo…), é a versão apresentada por Breno Altman, Pepe Escobar entre outros analistas apologistas dos BRICS para justificar centralmente a completa inação da defesa Venezuela. Eles fazem coro com a versão apresentada pela cúpula chavista, tanto que o portal “Brasil de Fato” ligado ao MST (26/01) para retirar a responsabilidade do alto-comando das Forças Bolivarianas, afirma que “ouviu de fontes militares venezuelanas que as investigações internas do corpo militar indicam dois tipos de armas usadas. Primeiro o que foi chamado de armamento sônico, que usa ondas sonoras para desestabilizar e atordoar pessoas que estão presentes em um espaço geográfico específico. As apurações dos militares venezuelanos também indicaram o uso de armas eletrônicas, que conseguiram bloquear os sistemas de defesa aéreo venezuelano, especialmente os aparelhos de georreferenciamento. Os militares afirmam que o sistema de comunicação foi ‘apagado’ pelos estadunidenses”.
É um fato concreto irrefutável que ocorreu um ataque militar aéreo das forças armadas do Pentágono sobre a Venezuela em 03 de Janeiro. Esse bombardeio ianque não foi letal e tampouco atingiu os “centros nevrálgicos” do Exército Bolivariano, como já tínhamos noticiado no Blog da LBI no próprio dia do ataque. As versões fantasiosas de um “super-ataque” com o uso de uma “arma secreta”, onde foi relatado “cegueira” dos radares venezuelanos, corte em todas as comunicações (TV e rádio) de Caracas, bloqueio dos sinais de internet e celulares, nunca existiu!
Até mesmo os papagaios “bricianos” chegaram a disseminar que os agentes norte-americanos da “Força Delta”, que supostamente sequestraram Maduro, usavam roupas que os deixavam invisíveis, além de portarem armas cibernéticas e hipersônicas que eliminaram de uma “só tacada” toda a segurança pessoal do presidente Maduro, sem precisar entrar em nenhum tipo de combate…
Como pode ser inquirido a qualquer cidadão venezuelano que mora nos arredores do Forte Tiuna, onde estava Maduro, nenhum celular “ficou mudo” e nem mesmo alguma emissora de TV ou rádio saiu do ar naquelas horas do ataque. Maduro foi entregue aos militares do Pentágono por altos oficiais corrompidos das próprias forças Bolivarianas! Os seguranças cubanos do presidente foram todos executados, sem marcas de luta ou ferimentos de combate, como “queima de arquivo”! É evidente que uma operação deste porte envolve à cúpula superior do Chavismo.
Sigamos as “pegadas do dinheiro”, que agora está entrando em milhões de dólares para o governo interino, via entrega do petróleo venezuelano para as multinacionais imperialistas, que vamos compreender toda a nova situação histórica aberta após o 03 de Janeiro.
A traição ao Chavismo, diante da cristalina capitulação (em toda linha) ao imperialismo ianque, não é uma questão de poder pessoal, corresponde a uma dinâmica de mudança do próprio caráter do regime político venezuelano, que nunca foi socialista, entretanto inicialmente carregava traços fortes de nacionalismo burguês.
Desde o Blog da LBI reafirmamos três meses após o sequestro de Maduro e quando a conduta de Delcy Rodríguez a fez ser apelidada de “traidora interina” que não foram as tais “armas secretas” de Trump as responsáveis pelo “êxito” da operação da CIA mas sim a covardia e traição da cúpula chavista! A exquerda “briciana” e seus analisas como Breno Altman e Pepe Escobar buscam encobrir essa realidade.
Na Guerra do Irã esse mesmo arco político “briciano” que Breno e Pepe representam atua a soldo da Rússia e China para encobrir que Putin e Xi Jinping não fornecem o apoio militar necessário para o Regime dos Aiatolás derrotar Trump e o Netahyahu, vendendo a versão que o Irã está vencendo a guerra… mesmo sem as armas necessárias (S-400, Sukhois, mísseis) para alcançar esse fim!
Trata-se de mais um embuste montado pelos apologistas do “mundo multipolar capitalista” para amortecer a luta de classes e livrar a cara de seus chefes que atuam (mesmo a Rússia!) no marco da Governança Global do Capital Financeiro. Estes senhores no fundo defendem que o Regime dos Aiatolás chegue o mais rápido possível a um acordo com a Casa Branca, para que “através da via diplomática e do diálogo a região volte à normalidade” como declarou Putin recentemente.
A própria Delcy Rodríguez fez cínicas declarações no mesmo sentido, inclusive se solidarizando com os regimes fantoches do imperialismo ianque e do sionismo! Segundo informações da própria chancelaria da Venezuela (03/03): “Conversei por telefone com Sua Alteza o Emir do Estado do Catar, a quem transmiti nossa solidariedade diante dos graves ataques que seu país vem sofrendo”.
O que estes analistas não dizem é que o governo Delcy Rodríguez condenou a resposta militar do Irã diante do ataque imperialista porque o regime chavista acredita que os países devem capitular passivamente a reacionária ofensiva trompista! Talvez o atual governo interino venezuelano acredite que todos os poucos países e regimes nacionalistas do mundo devam se submeter inativos diante da reacionária ofensiva trumpista do imperialismo ianque, como aconteceu com seu regime Chavista. Mas isso não dá o direito de Delcy condenar outros governos que decidam se defender e enfrentar os ataques do imperialismo ianque, o mesmo imperialismo que (será que se esqueceram?) atacou traiçoeiramente Caracas, sequestrando o presidente legítimo, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores. Registramos que o governo venezuelano emitiu uma declaração diplomática que repudia ataque ao Irã, mas vergonhosamente classifica a resposta militar iraniana como “Imprópria e condenável”. Um verdadeiro escárnio para caracterizar a legitima resistência dos povos frente a sanha assassina do carniceiro imperialista Donald Trump! Vejamos a cretina declaração da chancelaria Chavista : “A República Bolivariana da Venezuela condena e lamenta profundamente que, em um contexto de esforços diplomáticos e negociações em curso, tenha sido escolhida a via militar por meio de ataques contra a República Islâmica do Irã, desencadeando nas últimas horas uma escalada perigosa e imprevisível dos acontecimentos, incluindo represálias militares indevidas e condenáveis por parte do Irã contra alvos localizados em diversos países da região”.
Por defender essa vergonhosa orientação político acima no Irã podemos compreender porque o alto-comando das Forças Armadas Bolivarianas sequer ordenou que as tropas impedissem o sequestro de Maduro, não ativou o armamento (bazucas de mão ou os caças Sukhoi) que tinha para impedir a operação militar coordenada pela CIA e a Força Delta que em minutos entrou no Forte Tiuna e levou Maduro para os EUA sem qualquer resistência. Os 32 agentes cubanos foram mortos como parte da operação de entrega de Maduro pelo comando da sua própria guarda presidencial. Delcy Rodríguez, e seu irmão, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, comprometeram-se a cooperar com o governo Trump antes mesmo da operação militar que culminou o sequestro de Maduro. Não por acaso todas as sanções pessoais contra Delcy foram retiradas pelos EUA após ela cortar o envio de petróleo a Cuba e retomar as relações diplomáticas com a Casa Branca. Diosdado Cabello e o então ministro de Defesa, Wladimir Padrino avalizaram o acordo em troca não serem perseguidos ou mortos e terem suas fortunas preservadas no marco da atual mutação do regime Chavista!
Padrino inclusive revelou depois publicamente porque os Sukhois venezuelanos não levantaram voo. O corrupto alto comando das Forças Armadas Bolivarianas teve grande parte dos generais subornados pela CIA para não resistir. Segundo Padrino “Yo que vi de primera mano a los pilotos listos, trajeados para salir al combate, por supuesto, con la supremacía aérea, pues había más de 150 aeronaves en nuestro espacio aéreo, por supuesto que era inviable sacar un avión”. (Instagram del Ejército venezolano). O covarde ministro sustentou ainda que ordenar una resposta aérea havia significado uma ação suicida para os efetivos da Força Armada Nacional: “Era mandar a la muerte y al suicidio a unos pilotos”, expressou para justificar a decisão de não confrontar diretamente a operação ianque.
Delcy Rodríguez comanda com o apoio da Casa Branca um amplo processo de submissão política, econômica e comercial do país as ordens do imperialismo ianque, com ela começando a operar a transição de um regime nacionalista burguês para um de caráter neoliberal e pró-imperialista na Venezuela. Ela e seu irmão vem libertando os presos contrarrevolucionários na Venezuela, recebendo os chefes da CIA e diplomatas dos EUA no país e submetendo a economia venezuelana as ordens da Casa Branca, como vimos no caso da aprovação da nova lei neoliberal de Hidrocarbonetos que abre as portas para a exploração o petróleo pelas transacionais diretamente sem a participação sequer da PDVSA.
Todos esses cristalinos elementos provam que a “arma secreta” que Trump utilizou na Venezuela foi a capitulação da cúpula político militar do Regime Chavista que operou em três meses a transição para um governo neoliberal e pró-imperialista vassalo a Washington.
