O Congresso Nacional do Peru destituiu oficialmente ontem o presidente interino, José Jerí, alegando crimes como “falta de idoneidade”, e por um suposto encontro com empresários chineses, além de outras controvérsias menores surgidas nos últimos dias, em meio a mais uma grave crise política de governabilidade. Jeri é o sétimo chefe de Estado peruano em um período de dez anos. O país andino atinge assim um recorde mundial, demonstrando que os gerentes estatais da Governança Global do Capital Financeiro são totalmente descartáveis, o que realmente importa para seguir no “posto nacional” é levar adiante a plataforma programática do rentismo do Clube de Bilderberg.
Os presidentes da Casa declaram a presidência da República vaga, anunciou o presidente interino do Congresso, Fernando Rospigliosi. A censura política de Jerí foi aprovada com 75 votos a favor, 24 contra e três abstenções, segundo o jornal local El Comercio. O Parlamento elegerá um novo presidente do Legislativo em 18 de fevereiro, que assumirá automaticamente a presidência interina do Peru até 28 de julho deste ano.
O ex-presidente peruano, um golpista de ocasião, não conseguiu se defender de sete moções de censura após a revelação de que realizou encontros não registrados com empresários chineses nos arredores do Palácio do Governo, um escândalo apelidado de “Chifagate” no país vizinho. Jerí ocupava a presidência do Congresso desde outubro de 2025 e vinha sendo atacado pela oligarquia parlamentar por não “dividir” a vultuosa propina obtida através dos negócios chineses com a escória parlamentar da extrema direita.
O Peru vem sendo palco de uma disputa comercial entre blocos imperialistas pelo seu acesso ao mercado do Pacífico. Em uma conjuntura de crise econômica interna, com um grande ataque neoliberal as conquistas sociais da classe trabalhadora, as duas alas da Governança Global do Capital Financeiro, trocam os gerentes estatais do país andino ao “sabor” de suas conveniências e negócios comerciais. Os rentistas internacionais já utilizaram no Peru gerentes(presidentes) que iam de um falso “marxismo-leninismo” até o neofascismo de extrema direita, porém todos tinham em comum a mesma cartilha do Fórum de Davos, o elemento que diferencia a “escolha da vez” é a capacidade política de “enquadrar” o movimento de massas e manter de pé o regime burguês entreguista.
