47 ANOS DA REVOLUÇÃO ANTI-IMPERIALISTA NO IRÃ: DEFENDER AS CONQUISTAS HISTÓRICAS E AVANÇAR NA SENDA DO SOCIALISMO!

LBI

Neste 11 de Fevereiro de 2026, a Revolução Iraniana completou 47 anos. Este acontecimento histórico exerceu influência política em toda a esquerda mundial ao ser caracterizada como um levante vitorioso de massas contra o imperialismo norte-americano e seus interesses econômicos no Oriente Médio. A Revolução Iraniana foi deflagrada como um grande movimento da ação direta do proletariado persa, porém com diversos projetos políticos e identidades programáticas.

Além dos grupos religiosos ligados ao clero islâmico xiita, unificaram-se pela derrubada do reacionário Shah Mohammed Reza Pahlevi organizações comunistas, guerrilheiros, liberais e diversas vertentes do islã político, que já apontava fortemente no cenário regional nas décadas anteriores como uma “terceira via” entre o marxismo revolucionário e o capitalismo social democrata.

A insatisfação popular com o Shah Reza vinha se acumulando de um longo processo que somava diversos fatores. Um deles foi a volta da exploração do petróleo pela Anglo-Iranian Oil Company depois de um golpe orquestrado com a CIA que destituiu o nacionalista Primeiro-Ministro Mossadegh, que havia estatizado o petróleo iraniano.

Além disso, uma série de reformas “ocidentalizantes”, aliadas a um estilo de vida “luxuoso” por parte da família do Shah, enquanto a população iraniana passava por uma situação econômica degradante, acabaram por unificar diversos setores da população buscando o fim da monarquia pró-imperialista e colaboradora direta do enclave sionista de Israel.

Nos últimos meses dos protestos contra a ditadura do Shah, desde o exílio na França, o Aiatolá Khomeini passou a ser a principal influência política sobre o movimento de massas, fortalecendo a sua proposta de um novo regime político para o Irã, que estivesse sob a liderança de alguém que observasse os princípios da fé islâmica. É importante ressaltar que esse projeto proposto por Khomeini, embora estivesse crescendo perante o apelo popular, estava longe de ser uma unanimidade entre o próprio proletariado persa.

Porém, o retorno de Khomeini ao Irã em fevereiro de 1979 consolidou o processo revolucionário e o introduziu como líder das amplas correntes de oposição. Em janeiro de 1979 o Shah Mohammed Reza Pahlevi e sua família fugiram do país, após tentarem em vão uma intervenção militar direta do imperialismo ianque.

No processo pós derrubada da ditadura continuaram as disputas políticas em torno de qual projeto seria implementado no país: o socialista ou o religioso. Depois de diversas disputas “ferozes”, onde a dura repressão se abateu sobre as forças comunistas, a plataforma ideológica de Khomeini se faz vitoriosa, e a constituição que institui a República Islâmica é aprovada através de um referendo popular.

O novo regime instaurado no Irã não seria mais uma monarquia ligada ao clero religioso, como na Arábia Saudita, tampouco uma república secular, como o enclave sionista de Israel. O Estado Persa seria ancorado fortemente no nacionalismo burguês, mantendo o Irã até agora como uma forte referência política do anti-imperialismo em toda região do Oriente Médio. Os Marxistas Leninistas que fizeram parte da frente contra a ditadura entreguista, não estabelecem qualquer vínculo orgânico de apoio ao regime nacionalista dos Aiatolás, entretanto combatem para defender as conquistas obtidas com a revolução de 79, mantendo firme a estratégia da revolução socialista.