A ATUAL RÚSSIA CAPITALISTA É UM PAÍS IMPERIALISTA?: ESQUERDA REVISIONISTA QUE APOIA A OTAN AFIRMA QUE O KREMLIN SERIA UM GOVERNO SIMILAR AO DA CASA BRANCA

INTERNACIONAL

O debate teórico no campo da esquerda que se reivindica do marxismo sobre o caráter do imperialismo, acompanha as lutas políticas do Leninismo há mais de um século. Hoje, especialmente na Europa e América Latina, a chamada esquerda revisionista adotou a narrativa de que a Rússia é uma potência imperialista, para justificar seu apoio a Ucrânia (leia-se OTAN) contra o Kremlin.

No entanto, quando a atual Rússia capitalista é comparada com os critérios objetivos estabelecidos por Lenine no seu ensaio “O imperialismo, fase superior do capitalismo”, elaborado em 1916, essa caracterização revela-se profundamente equivocada e o que é ainda mais grave, assume uma postura de capitulação diante da ofensiva global do imperialismo norte-americano.

Para estabelecermos os conceitos Leninistas sobre essa questão, temos que observar que o imperialismo tem sido uma característica fundamental do sistema internacional de acumulação do capital ao longo dos últimos séculos. Como Lenin descreveu claramente, o imperialismo representa um estágio superior do capitalismo.

Lenin identificou alguns aspetos centrais do imperialismo: a ascensão dos monopólios mundiais, a hegemonia do capital financeiro, a exportação de capital, em forma de especulação e por último as ambições territoriais. Hoje, muitos na esquerda revisionista, especialmente na América Latina e em outros países europeus, definem a Rússia como um país imperialista. Nada poderia estar mais longe da verdade do marxismo. A Rússia não é imperialista. A única potência imperialista que realmente existe hoje na Terra é o eixo em torno dos EUA.

São os Estados Unidos imperialista que têm mais de 800 bases e instalações militares no planeta, em comparação com as cerca de 15 da Rússia. É o imperialismo ianque e seu braço atlantista que invade países para saquear os seus recursos naturais e econômicos, impondo seu alinhamento “democrático”. Também são os Estados Unidos que têm a maior economia capitalista do mundo e se consideram a potência hegemônica em torno planeta.

A economia capitalista restaurada na Rússia ocupa hoje o 11.º lugar no mundo em termos de PIB nominal. Não há absolutamente nenhum critério que permita definir a Rússia como um país imperialista, com esse atrasado estágio de desenvolvimento de suas forças produtivas. O que existe de fato no país que sucedeu a antiga URSS, é um regime nacionalista burguês que tenta manter uma mínima autonomia econômica frente a globalização do capital financeiro.

É essencial combater essa vertente política supostamente mais “radical” dentro da esquerda revisionista(em parceria com o neostalinismo), considerando a Rússia como uma potência imperialista para facilitar os interesses do verdadeiro eixo imperialista, que não apenas busca uma mudança de regime nacionalista em Moscou , mas fundamentalmente alimenta o separatismo eslavo com o objetivo de balcanizar e fatiar o maior país do mundo.

Lenin assevera o surgimento dos monopólios globais como um dos fundamentos do imperialismo. Na Rússia, existem grandes empresas públicas e privadas (Gazprom, Rosneft, Sberbank), mas o seu papel não é comparável ao das multinacionais ocidentais que dominam o mercado internacional. Ao contrário das corporações norte-americanas e europeias, as empresas russas não exercem controle monopolista sobre os mercados mundiais de tecnologias avançadas, finanças ou bens de consumo.

Na Rússia, o setor financeiro não impulsiona a economia global nem exporta capital para outros países em grande escala. O papel do capital financeiro na Rússia é essencialmente “nacional”, visando apoiar e impulsionar setores da burguesia que controlam alguns ramos estratégicos de sua atrasada economia capitalista.

A aplicação dos cinco critérios teóricos de Lenin comprova que a Rússia não é um país imperialista. Entretanto não podemos “vender ilusões” de que se trata de um país que “constrói o socialismo com suas peculiaridades”, como fazem os cretinos stalinistas chineses e seus agentes políticos corruptos da esquerda reformista brasileira.